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-LITERATURA

Essa pergunta admite várias respostas porque GOR não se limita a uma única compreensão. A forma mais simples de responder talvez seja dizendo que GOR é um mundo de ficção, criado pelo filósofo e escritor John F Lange, sob o pseudônimo de John Norman. Nesse planeta ele ambienta sua série de 26 livros conhecidos também como “As Crônicas da Contra-Terra”. Em GOR, a escravidão é instituída e bem aceita como um dos três pilares da sociedade. As escravas Goreanas são conhecidas como kajiras e pertencem, sem qualquer reserva ou condição, a seus Mestres.

Os livros de John Norman não estão mais sendo publicados. Nos Estados Unidos, a editora de John Norman sofreu grande pressão e vários boicotes até falir por completo. Com medo de terem o mesmo fim, os editores passaram a rejeitar essas obras. A ilusão da liberdade de expressão na América foi desmentida por esses eventos. Há uma frase de John Norman bastante conhecida: “Não é preciso queimar os livros se os impedimos de serem publicados”.

-GRUPOS GOREANOS

Os leitores, fascinados pela idéia e pela filosofia contida nos livros, criaram grupos em diversos países. As sociedades Goreanas tem crescido e se espalhado pelo mundo em três formatos: Algumas delas são puramente virtuais e realizam sua existência apenas em salas de chat onde a liturgia Goreana é a regra obrigatória. Isso é chamado de “Online Gor” e é um ótimo meio para se aprender um pouco mais sobre o tema (ainda que de maneira superficial). Alguns grupos reais também vivem como em um jogo, aplicando regras tal como se apresentam nos livros em seus encontros. Esses (tanto os virtuais quanto os reais) constituem o primeiro tipo de Goreanos, chamado de ROLE PLAYER (JOGADOR) Mas é comum que alguém que realmente se interesse pelo assunto busque, mais cedo ou mais tarde, por um aprofundamento filosófico. Isso só se dará com a leitura e análise dos livros. Existem então, para esse fim, grupos destinados ao estudo da FILOSOFIA. Por último teremos os LIFESTYLERS, que aplicam a Filosofia Goreana a sua vida quotidiana e muitas vezes em seus grupos fechados.

Esses três formatos admitem combinações e, embora dificilmente um Filósofo seja um Role Player, é bastante comum que haja algum tipo de Role Playing entre os Lifestylers, em maior ou menor quantidade, dependendo do grupo. Muitos Filósofos aplicam o que aprendem na sua vida, passando de estudiosos a Lifestylers também. As classificações servem apenas para facilitar o entendimento sobre três tendências. Porém sabemos que essas tendências, na vida real não são puras. Existe uma certa mobilidade entre os estilos

- A QUESTÃO DO MÉRITO ENTRE GOREANOS E OS TIPOS DE LEITORES

O tempo de experiência com Gor não necessariamente fará de alguém um grande conhecedor. Muitas pessoas podem permanecer em grupos não muito exigentes sem nunca compreender ao certo as implicações da Filosofia Goreana.

Uma pessoa pode ter lido vários livros da série Goreana sem nunca entender o que eles refletem. Existem dois tipos básicos de leitores: Os que lêem por entretenimento apenas e os que buscam compreender o que há por trás da história (observando o contexto histórico, a biografia do autor, o simbolismo intrínseco do livro e o uso de ironia, por exemplo). O leitor filósofo deve ver sempre além das palavras e situações descritas. O importante não é a história que se apresenta, mas o que ela quer dizer de forma mais global, como obra, crítica social e representação de certa forma de se ver o mundo.

Um exemplo clássico onde as pessoas se confundem muito frequentemente diz respeito a uma das bases inegáveis da Filosofia Goreana.Uma das grandes preocupações de John Norman é a de expressar que Homens e Mulheres são diferentes, não apenas na biologia. No BDSM, temos apeptos da FEM DOM, que acreditam na dominção como sendo papel do sexo feminino. Já para John Norman, existe uma natureza masculina e uma feminina. A masculina é a de liderança. A feminina é de submissão (resumindo-se muito, apenas para concluir). Para argumentar em favor dessa teoria, John Norman permite em seus livros a existência de Mulheres Livres e de Escravos. O objetivo é demonstrar que o ser, fora de seu lugar natural é incompleto. As mulheres livres nos livros frequentemente resenten-se por não terem a seu lado uma figura masculina forte para conduzi-las. Um ótimo exemplo disso é a Tatrix de Tharna, Lara, que governa a cidade, mas sonha com um homem que a domine. Quando Tarl (personagem condutor da saga) parte, Lara o pede para que se algum dia ele tiver interesse em ter uma escrava, que ele se lembre dela, a Tatrix de Tharna.

- O RESPEITO ACIMA DE TUDO

Um conceito muito presente nos livros é o de sinceridade sobre o que se é e sobre nossas próprias limitações. É comum a mensagem de que devemos nos conhecer e respeitar a nossa essência. O bom e velho clichê do “Seja quem você é” parece estar presente no Goreanismo. Penso que isso implica em se aceitar não somente nossa essência, mas também a forma de ser de quem nos cerca.

Como não existe imparcialidade total, por mais que tentemos obtê-la, é importante dizer que este, e qualquer outro texto meu sobre GOR não é e nem pretende ser palavra final. Para mim, Gor é muito mais do que um fetiche, e quanto mais me aprofundo na leitura e crítica, mais entendo a complexidade e abrangência dessa filosofia. Sou submissa e masoquista, mas também estudante de letras (Inglês) com ênfase em Literatura e Linguística e minha paixão por Gor vai bem além dos campos do fetiche. Penso que John Norman e os grupos que abraçaram GOR, sejam Role Players, Filósofos ou Lifestylers, fazem parte de um movimento de contra-cultura que nasceu em resposta aos excessos do feminismo e a uma criação que em muito poda a essência masculina. Havendo opção e respeito, seja qual for a forma de pensar, cada um faz suas próprias escolhas. Ser bem sucedido é ser quem você é, e não um escravo do sistema.

Well wishes!

+tavi{CS}


O gosto do tesão.
O toque da devassidão.
O cheiro do sexo.
O som do desejo.
A visão da libertinagem.


Sentidos

Audição
Escuto o som de passos na escada, a respiração acelere, o coração pulsa mais forte.
Fecho os olhos, apurando a audição, o solado batendo forte no assoalho indicando Sua chegada.
Um sussurro no ouvido, mal ouve o que pronuncia.
Sei que me excita, as pernas bambeiam, deixando o corpo sem apoio, no seu apoio.
Murmúrios fortes, suaves.
Imaginação corre levando até lugares escuros, invocando desejos sombrios e fantasias secretas.
Segredos compartilhados no ouvido, palavras tensas, recheadas de anseios e tesões .
Volúpia nascendo na mente, atravessando o corpo, externando quereres.

Visão
Abro os olhos, e encontro seu olhar no meu.
Seu rosto marcante, queimando a retina, absorvendo cada linha que forma a expressão do poder que tem em mim, sobre mim.
Descendo a linha do queixo, encontrando a boca.
Traço perfeito, desenhado a mão, realçando a ânsia que tenho dela sobre a minha.
Abaixando a visão sobre seu colo, desejando nele deitar, repousar a cabeça, deparo com suas mãos fortes, tão pertos e, no entanto tão longe do meu corpo.

Olfato
Chego mais perto, o cheiro do suor aguça a imaginação, onde o gosto salgado das suas costas se mistura ao gosto amargo das lagrimas que brotam do desejo que seu corpo incendeia no meu.
Sinto seu cheiro de Homem, acentuando em mim o anseio de lhe ter.
Remeta a perfume esquecidos e proibidos.
O cheiro da aventura, do desconhecido, das descobertas, do prazer.
Aromas envolventes, buscando sensações adormecidas sob camadas de tabus.
Cheiro de sexo, cheiro de vontade.
Seu cheiro.

Tato
A mão levanta involuntariamente em direção ao rosto Dele.
Querendo sentir sua pele reagindo ao toque da minha.
Sentindo o sangue correndo em direção aos meus dedos.
Arrepiando minha pele, deixando um rasto de fogo fugir dos meus dedos em direção as costas, provocando fúria, fogo, devastando o controle, aplacando a vontade.
Experimentar a força das suas mãos.
Desvendar os mistérios do seu rosto.
Descobrir os segredos nos seus olhos.
Sentir a maciez da sua pele, contrastando com a firmeza dos seus punhos em mim.

Paladar
A boca encontra a sua.
Prova enfim o gosto que povoa meus sonhos, envolva meus pensamentos.
Teima em provocar meus sentidos.
O gosto acre do suor tem o gosto de mel, o gosto de quero mais.
O gosto de sonhos invadidos, de anseios adormecidos, de luxurias incontroláveis.
Explorando o vão da sua nuca, saboreando sua pele.
Sorvendo cada gota do desejo que transbordam dos corpos enfim unidos.

Para quem considera que a integração latino-americana possa passar também pelo BDSM ou ainda tem vontade de conhecer mais sobre as práticas e discussões de “nuestros hermanos”, esse site é ideal. Muito bem montado e com conteúdo interessante, é uma boa alternativa para troca de idéias.

O registro é gratuito e contém um chat. O endereço é http://www.mazmorra.com.ar/Divirtam-se!

Tela de Entrada do site argentino \"Mazmorra\"

Mestre JB

Quem começa a ler meus artigos e textos aqui, logo vai perceber que estou acostumado a escrever em primeira pessoa, com exceção de textos literários mas aí é outra história. A razão fundamental disso acontecer é que tudo o que leio sempre será confrontado com minhas experiências, com o que sobrou, internamente, não apenas das leituras mas da vida.
Portanto, esse artigo sobre Liturgia será iniciado (como convém a toda Liturgia) com uma confissão: por muito tempo alinhei-me com aqueles que a combateram, sobre o pretexto de que era umengessamento desnecessário do BDSM.
Essa visão tinha uma justificativa que, ao meu ver, era plausível mas incompleta porque via o BDSM mais centrado na sessão e esquecia-se que há todo um entorno muito mais importante do que ela, ou seja, o cotidiano, a criação dos relacionamentos e demais elementos da “ordem” BDSMista.
Hoje, um pouco mais “maduro” (ou será vivido, instruído?) começo a ver que há todo um contexto que não pode ser desprezado e que, de certa forma, justifica a liturgia.
Sempre intitulei o BDSM como um “jogo erótico-afetivo” e a primeira vez que falei isso, sofri uma reprimenda que , inclusive, me afastou da pessoa que a fez mas que hoje entendo o que me foi dito à época. Mais do que um “jogo” , uma bem elaborada “peça teatral” (o que chega a ser em alguns momentos e casos), BDSM refere-se à um relacionamento que tem uma carga comportamental muito forte , além do erotismo e do afeto.
É uma estrutura vertical, rígida, hierárquica, mais se assemelhando às estruturas religiosas tradicionais do que uma democracia aos moldes ocidentais. Mesmo admitindo-se os limites que geralmente são impostos via SSC (São, Seguro e Consensual), o papel do Dominante (seja ele homem ou mulher), sempre prevê uma obediência longe de questionamentos, com práticas que não apenas reforçam essa estrutura de poder mas ritualizam a posse o domínio.
Um parêntese para um reforço, ao meu ver, necessário: não postulo, como não o faria, um domínio levado às últimas (in)conseqüências de forma a não respeitar o trinômio SSC. A ilimitação do poder do Dominante dá-se no espaço definido por ambos como as fronteiras da sanidade , segurança e consensualidade, cabendo ao Dominante, com sua experiência e sensibilidade, ampliar eses limites, fugindo da rotina e ampliando o rol de práticas e demais atividades a que ambos proponham-se.
Findo o parêntese, voltemos à Liturgia. Ouvi de uma grande amiga, Dominadora, que “sem liturgia, vira anarquia”. De fato: se de um lado a falta de liberdade eventualmente restrinja alguns dos praticantes, a ausência dos limites faz com que qualquer coisa seja BDSM, o que não é fato. É essa percepção que falta aos que nos vêem de longe e apenas percebem os casos infelizes que vira e mexe acontecem por aí, com cara de BDSM, não sendo.
A Liturgia dá norte, estabelece as fronteiras, dá um caráter próprio às práticas, estabelece limites e delineia ações, deixando restar espaço de liberdade para que, baseado em seus princípios, dê-se “uma feição própria” a cada relacionamento BDSMista.
Submeter uma prática à liturgia é delinear e dar corpo, igualmente, à relação Dominante/submisso. Em algumas correntes do BDSM como o Gor, a liturgia é a razão de ser da corrente, tendo sido rigorosamente descrita nos livros que lhes servem de base e sem o qual nada faz sentido.
Portanto, e tentando ser mais breve do que na “Cela…”, para muitos, ser litúrgico é fundamental e começo, ainda que nosprimeiros passos, a compartilhar dessa visão. Há muito que se explorar, muito para ler e pesquisar e tirar dali um rico manancial de atitudes e práticas.
Para não cansar o leitor, no final do artigo estará listados alguns artigos e sites para quem desejar aprofundar-se no assunto. Ao menos, pelo que me toca, é uma exploração deliciosa. Fica o convite.

Saudações BDSMistas.

Sugestões para leitura sobre Liturgia

carolina(T:V:P:) – http://www.carolinatvp.com/textos/biblioteca/liturgia.htm – Um extenso estudo de liturgia, com fotos.

Desejo Secreto – http://www.desejosecreto.com.br -Em suas seções, vários artigos que tratam aspectos sobre liturgia.

Obrigado por sua visita!

Eu sou uma daquelas pessoas que acredita , de verdade, que mais do que FAZER algo, é necessário PENSAR algo! Muitas pessoas tem feito uma reflexão competente e densa sobre o BDSM e , inspirado nessas pessoas, tomei a iniciativa de fazer esse blogue.

No entanto, é importante que essa iniciativa não seja pessoal e sem repercussão, por isso decidi fazer desse blogue, um blogue colaborativo. O que significa isso? Que todos os que desejarem e puderem, são bem vindos para publicar aqui.

Ao contrário de outros locais, a participação é livre para Dominadores e Dominadores, Subs, Switchers, Spankers e o que mais for. Todas as visões de mundo enriquecem, fazem-nos repensar o que vivemos, o que queremos e o que não queremos viver.

Sejam todos bem vindos! Manifestem-se sem restrição, senão aquela da educação e do bom senso!

Saudações Bdsemistas

Mestre JB