(Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/seguro/seguro02.htm)

Sexo seguro significa reduzir as chances de adquirir doenças sexualmente transmitidas, incluindo a AIDS

As doenças sexualmente transmissíveis (DST) são aquelas que, como o nome diz, podem passar de um parceiro para outro, durante um encontro sexual, através de diferentes tipos de contato. São, de longe, a grande preocupação em termos de prevenção, quando se fala em sexo seguro.
O risco de contrair uma DST é determinado por diversos fatores, que podemos resumir de uma maneira simplificada e lógica:

  • Prevalência da doença na sua região:

  • É muito mais fácil contrair AIDS numa cidade grande, com alta incidência da doença, do que em Bojuru, interior do 5º distrito de São José do Norte (acho que não vai adiantar olhar no mapa…).

  • A população a que seu/sua parceiro(a) sexual pertence:

  • O índice de HIV positivo dentro de grupos com “comportamento de risco” são, obviamente, maiores do que na população em geral. É o caso dos usuários de drogas e pessoas com vida sexual promíscua.

  • O tipo de atividade sexual realizada:

  • Em termos de HIV é mais fácil contaminar-se durante um sexo anal do que fazendo sexo oral.

  • Tipo de doença sexualmente transmissível:

  • Um herpes simples, ao contrário, é mais facilmente contaminável realizando sexo oral do que sexo anal.

  • Doenças prévias e a integridade da pele e das mucosas:

  • Não menos importante é o estado das defesas imunológicas das pessoas envolvidas, assim como a integridade da pele e da mucosa. Se a contaminação precisa de contato de secreção corporal (sangue, sêmen) imagina-se que, claro, uma pele ou mucosa com ruptura, mesmo que pequeníssima, seja um agente facilitador e tanto.

As doenças sexualmente transmissíveis mais comuns são a gonorréia, o herpes simples, a hepatite B e C, o CMV (citomegalovirus) e, é claro, a AIDS.
A única proteção absoluta que existe contra essas doenças é não ter contato com qualquer tipo de secreção corporal. Sempre!!!
Portanto, o jeito mais efetivo de se reduzir os riscos de DST é o uso de condoms, a famosa camisinha, de uma maneira CONSTANTE, CORRETA e CUIDADOSA durante sexo vaginal, anal e oral.

Sexo anal

A mucosa retal - o tecido que “forra” internamente o reto - é extremamente delicada e por isso mesmo bastante suscetível a traumatismos. A penetração, seja pelo pênis de seu parceiro, vibradores, pênis artificial, dedo, dedos, punho (fist), ou de qualquer outra coisa, pode causar o rompimento deste tecido. E mesmo pequeníssimos rompimentos podem ser a porta de entrada para o vírus da hepatite B e C e para o mortal HIV.
Portanto, manter relação anal sem proteção é uma atividade de altíssimo risco. Na verdade, para efeitos práticos, o micro traumatismo SEMPRE existe. E o sêmem é SEMPRE meio de contaminação, no caso de seu parceiro ser portador de DST.
Uma mistura explosiva e potencialmente mortal: sêmem contaminado e pele não íntegra. Também conhecido como “portas abertas para a sua desgraça”!!
Em matéria de sexo anal, três coisas básicas não podem ser esquecidas: camisinha, quilos de lubrificante e paciência de montão.
Nunca esquecendo, claro… tesão!!
É isso - o tesão - que vai permitir você relaxar, relaxar e relaxar, e assim tornar o sexo anal uma atividade altamente prazerosa.

Sexo oral

O sexo oral é considerado, hoje em dia, atividade de risco para a transmissão do HIV. Isso significa que, sim, você pode pegar HIV chupando. E mais: não interessa o que você está chupando ou o que está sendo chupado. Em outras palavras, não interessa o sexo dos envolvidos. O importante a saber e não esquecer é que se uma pessoa tiver o vírus, todas as secreções vão estar contaminadas. O risco existe em qualquer contato de mucosa com secreção sexual, seja vaginal, esperma ou smegma., aquele líquido que vem antes do esperma.
O conceito de que o aparelho digestivo não seria porta de entrada do vírus, porque ele seria muito suscetível ao meio gástrico, sofre modificação. O vírus pode não sobreviver até chegar ao seu estômago. Mas, em compensação, se você imaginar que, até chegar ao estômago, o vírus tem um imenso caminho a percorrer e que ele pode, em qualquer um dos pontos desse caminho, entrar pela sua mucosa, você começa a entender que sexo oral é atividade de risco em termos de HIV e de outras DST. Isso sem falar que a porta de entrada, numa situação como essa, pode ser, na verdade, uma micro ruptura gengival. E não tem essa historia de não tenho nada de machucadinho na minha boca. Não existe maneira de afirmar isso.
Preconiza-se hoje em dia que, se houver sexo oral, é importante não escovar os dentes, nem usar fio dental, de 3 a 4 horas antes do encontro .
Lamber o ânus - rimming, na gíria americana - é considerado uma atividade de baixo risco em termos do HIV, mas de alto risco de contaminação de outras doenças, tipo herpes, condiloma, parasitas e hepatite. Se você for fazer rimming, use uma barreira anatômica que evite o contato entre sua língua e o ânus. Pode ser uma camisinha cortada, luva cirúrgica ou mesmo aquele plástico que vem em rolo , o magicpack.

Sua vagina

A vagina pode ser facilmente penetrada e pode acomodar, de uma maneira geral, um número bem variado de formas e tamanhos. Afinal, esse espaço virtual é capaz de suportar a passagem da cabeça de um bebê. Isso não dispensa a necessidade de cuidados. Cuidados para que, seja o que for que penetre, esteja limpo, não seja quebrável, esteja coberto por uma camisinha e não tenha bordas agudas que possam machucá-la.

Duchas e enemas

Duchas e enemas não são raros no cenário SM. São usadas tanto com o objetivo de limpeza como de “manipulação” erótica. As técnicas envolvidas poderão e certamente serão discutidas em outro momento. O que interessa por ora é o papel destas atividades na transmissão das DST. A primeira coisa a considerar é que enemas e duchas imediatamente antes de uma penetração podem deixar você mais suscetível a qualquer infecção, na medida em que retiram, “lavam”, uma superficie de muco que existe e está ali para sua proteção. Isso também vale - principalmente - para depois do sexo. É fácil perceber que o efeito mecânico de um enema pode servir para empurrar sangue, sêmem ou fezes através de um tecido previamente rompido.
No que diz respeito a duchas vaginais, o perigo é a entrada de bactérias no útero e trompas de Falópio, causando as chamadas doenças inflamatórias pélvicas, que podem levar à infertilidade. Se duchas e enemas fazem parte do que você curte, por favor, mais um motivo para o uso de camisinha.
Os acessórios que entram em contato com o ânus e/ou vagina, é claro, não devem ser partilhados.

Acessórios - ou A grande oportunidade de ser egoísta sem culpas!!!

Ao contrário de tudo que você ouviu a vida toda sobre partilhar sua caixa de brinquedos com seus amiguinhos, agora é a hora de ser egoistinha e, o melhor de tudo, sem culpas.!!!!
Seus brinquedos/acessórios sexuais existem para uso… pessoal. Como a sua escova de dentes! Ou, se quiser.. pessoal e intransferível!!! Como cartão de crédito! Use a figura mental que melhor te indique que NÃO se partilham objetos sexuais. Qualquer coisa que penetre no reto e/ou vagina pode transmitir HIV e outras DST, se for partilhado.

Limpando os acessórios

Acabou a festa? Ok… agora vamos à limpeza. Afinal, a festa é sua e não dos vírus e bactérias, não é?
Tudo que você precisa para deixar seus acessórios como novos é água morna, sabão e água sanitária.
- Lave o acessório em água morna e sabão para a retirada de resíduos decorrentes do seu uso.
- Dilua água sanitária numa proporção de 1:9 e deixe seu brinquedinho de molho por uma meia hora.
- Lave em água corrente até ter certeza da retirada total da água sanitária e deixe então secar totalmente (de preferência algumas horas) antes de usá-lo novamente. Se deixar secar ao natural lhe trouxer problemas, tipo não saber o que dizer para sua faxineira, sogra e/ou conhecidos, você pode usar um secador de cabelos ou a máquina de secar roupa. O importante é não guardar molhado. A umidade é ótima para fungos, mas eles não são ótimos para nós.
É muito mais fácil limpar um acessório se você colocar camisinha nele imediatamente antes de usá-lo!! Se você é um(a) dominador(a), já pode estar imaginando um montão de maneiras divertidas para seu(sua) sub colocar essa camisinha..
Em resumo, a coisa é muito simples. Basta você ter bem claro que qualquer acessório que tenha penetrado em vagina e/ou reto deve ser limpo de maneira adequada (como descrito acima), mesmo quando aparentemente não exista resíduo de sêmem, sangue ou fezes.
E o ideal é que seja guardado, limpo, seco e coberto. Aquele plástico que tem ótima aderência é ótimo para isso (magicpack).
Acessórios de couro, tipo chicotes, chibatas, devem ser limpos primeiro esfregando uma escova dura (pode ser uma escova de dentes) por sua superfície. Depois umedeça um pouco a escova, passe sabão e repita a esfregação. Retire o sabão e deixe secar. A idéia é que, depois de seco, deve-se passar um produto que proteja o couro, um condicionador especial para isso, facilmente encontrado em lojas especializadas em couro ou em lojas que vendam sapatos.

Urina e fezes

Em termos de HIV existe pouco risco de uma contaminação ao receber urina e mesmo fezes em sua boca. É obvio que em, termos médicos, contraindicamos totalmente tal procedimento, até porque nem só de HIV as pessoas adoecem e sobre isso falaremos posteriormente. No momento fica o alerta de que, se houver possibilidade desse tipo de atividade, nunca escove os dentes e a língua pelo menos de três a quatro horas antes de um encontro e nunca aceite esse tipo de atividade se tiver qualquer tipo de ferimento em sua boca. Da mesma maneira, não deixe nunca urina e/ou fezes perto de machucados que, porventura, existam em seu corpo. Para efeitos de porta de entrada para microorganismos, consideramos qualquer ruptura de pele como machucado e isso inclui, por exemplo, espinhas.

Fisting

A penetração do punho (fisting) em uma vagina ou reto pode criar mais machucados que a maioria das atividades sexuais. Portanto, se você vai participar de um fisting, cuide de alguns detalhes que podem fazer toda a diferença.
- unhas bem cortadas, curtas, sem cantos ou pontas são de importância fundamental e óbvia.
- a escolha do tamanho certo das luvas é outro ponto importante e, algumas vezes, descuidado. Uma luva pequena pode rasgar com facilidade, principalmente durante um fisting anal. Uma luva maior que o tamanho adequado pode rasgar-se também e soltar-se de sua mão.
- Lubrificante. Existe uma regra a respeito da quantidade certa de lubrificante a ser usado em um fisting: todo lubrificante é pouco!!
- Se você preferir seu intestino vazio para um fisting anal (fezes podem ser abrasivas) lembre-se do que já foi dito a esse respeito quando falamos sobre enemas. Faça o enema algumas horas antes do seu encontro começar, de maneira que aquela camada natural de muco tenha tempo de ser refeita e você já esteja relaxada(o).
E, claro, todos os cuidados que já relacionamos em sexo anal e vaginal valem para o fisting.
O mais importante é não esquecer que, após um fisting, anal ou vaginal, o micro traumatismo existe. Portanto, não deixe, sob nenhuma hipótese, qualquer coisa, seja pênis, dedos, vibradores, seja lá o que for, entrar em contato com essa mucosa sem estar devidamente “vestido”.

Prendedores (clamps)

Freqüentemente, prendedores podem, acidentalmente, romper a pele, ocasionando pequenos sangramentos. Se isso acontecer, jogue fora o prendedor que esteve em uso se for do tipo barato (de roupa) ou limpe-o com cuidado, dando o tratamento adequado ao acessório, como já foi descrito. Tenha sempre luvas. Sangue é sangue. Não tem essa historia de pouco ou muito sangue quando o assunto é contaminação.

Açoite, Chicotes, Cane (vara de rattam)

São atividades que podem romper a pele. Portanto, esteja preparado antes de iniciar a cena, com os mesmos cuidados descritos acima. Um detalhe: fique atento para a possibilidade de gotas de sangue serem “jogadas” em qualquer direção pelo movimento das pontas de um chicote. E, claro, você vai limpar seu acessório que está sujo de sangue quando tiver acabado a cena.

Agulhas, piercing, facas

Quando a cena incluir agulhas e facas, o sangue não é um incidente.Você, na verdade, está contando com isso. Não é para menos que a expressão usada pela comunidade de língua inglesa para esse tipo de atividade é “blood sports”.
Mas se o brinquedo inclui isso, então vamos nos lembrar de algumas regras básicas.
· Usar luvas
· Limpar com algodão embebido em álcool a pele a ser perfurada
· Usar somente material descartável
· Se usar agulhas, abra a embalagem somente no momento do uso
· Tenha um recipiente próprio para colocar o material usado, sujo ou não, de sangue. Esse recipiente deve ter paredes rígidas para evitar que o material ali depositado - agulha, lâminas, etc - perfure de maneira acidental pessoas não envolvidas na cena.
· Não encapar as agulhas depois de usá-las. Existem estudos que mostram que o maior risco de perfuração acidental é durante este procedimento.
· Ter material seco, estéril para limpeza (gaze)
· Após o término da cena e limpeza do sangue, retire as luvas cuidando para deixa-las no avesso, isto é, com a parte suja para dentro. Jogue-as direto no recipiente usado para guardar todo material usado.

Esta matéria foi feita em grande parte usando material disponível na Internet e disponibilizado através de grupos de suporte educacional e apoio na luta mundial contra a AIDS e as Doenças Sexualmente Transmissíveis.
São pessoas que trabalham de maneira gratuita para que cada vez menos indivíduos venham a adoecer e morrer por falta de conhecimento. A melhor maneira de valorizar esse esforço é cuidando-se.
Não é nossa pretensão esgotar o assunto.
Sempre que necessário estaremos atualizando as informações aqui colocadas.

Estes links são importantes:

AIDS Committee of Toronto Safer SM Seminars
SM SEX___SAFELY
The Body An AIDS and HIV Information Resource
D-s Health & Safety Information
www.aids.gov.br

E o livro: Mandell - The principles and practice of Infections Diseases.
5ª ediçao. 2000