Arquivos Diários: Maio 29th, 2008

(Fonte: http://carcereiro.110mb.com/indframes.html)

BDSM: do inglês Bondage, Domination, Submission and Masochism

Uma sala à meia-luz. Aparelhos estranhos, correntes, cordas, velas vermelhas. Gritos abafados provocados pelo contato da cera quente com a pele. Chicotes, roupas de couro, pessoas amordaçadas e nuas. A luz fraca pisca quando a corrente elétrica passa pelo corpo de um escravo. Alguns estão de quatro, comendo em tigelas e usando coleiras. Outros são ofendidos, humilhados e pisoteados por mulheres de saltos finíssimos.
A imagem é chocante. Estranha.

Terminados os “jogos”, a rainha – a senhora dos escravos – sai da sala. Todos a seguem. Além dos escravos e submissos, estão também outros mestres dominadores.
Depois de alguns minutos, todos se encontram no hall. Camiseta, calça jeans, tailleur, escarpim – tudo absolutamente trivial. Despedem-se e cada um pega seu carro, vai pra casa encontrar a família, talvez tomar um chope com amigos do escritório. A play party está oficialmente encerrada. Eles somem no meio da multidão.

O que é sadomasoquismo?

O termo “sadomasoquista” nasceu da junção dos nomes de dois autores: Marquês de Sade (França, 1740-1814), cujo principal livro é Os Cento e Vinte Dias de Sodoma, e Lepold von Sacher-Masoch (Lemberg, parte da atual Rússia, 1836-1895), que escreveu Vênus das Peles. Enquanto o primeiro descrevia brilhantemente os fetiches dominadores, o segundo pregava o amor submisso, sofredor e passivo.

Mas as práticas sádicas e masoquistas têm muito mais de 200 anos. Na verdade, sempre fizeram parte da natureza humana. Na Grécia antiga, escravos eram comercializados só para satisfazer os desejos sexuais de seus donos. Roma seguiu na mesma onda, principalmente sob o reino de imperadores sádicos como Calígula e Nero.

Mas peraí: isso é normal?

Bom, sabe-se que no reino animal o homem é o único ser que provoca ou sente dor por prazer. Só que a psicologia não vê isso com bons olhos… Inês Cavalieri, psicóloga do IbraSexo (Instituto Brasileiro para Saúde Sexual) e pós-graduada em sexologia, explica que existem duas opiniões bem divergentes sobre a prática: a da psiquiatria e a da sexologia.

De acordo com a psiquiatria, sadomasoquismo (assim como homossexualismo, podolatria e qualquer coisa que não seja a penetração vaginal, na relação heterossexual) é considerado desvio sexual e merece tratamento.

“Mas o que é normal? Quem definiu a normalidade? A Psiquiatria é arcaica, parou no tempo”, diz Inês.

Já a sexologia tem opinião totalmente diferente: tudo o que é consensual é normal. Você gosta de apanhar e o outro de bater? Vá fundo. Se alguém tem a fantasia mais doida da face da Terra e encontra quem também a tenha, divirta-se! A sexologia apóia a busca do prazer pessoal, independentemente da opção sexual.

Não existe verdade absoluta: há quem prefira jogar no time de Freud e quem aceite o prazer alheio sem tantos julgamentos morais. Em qual você se encaixa?

Realidade SM

Que delícia de espancamento!

A realidade SM é bem diferente das fantasias adolescentes que criamos com mulheres lindas, vestidas de couro, chicoteando homens de bunda branca.

Ninguém está lá para ser espancado até a morte e não optou pelo SM porque enfiou o dedo na tomada quando era criança e adorou a sensação (pode até ser que isso tenha acontecido, mas não é obrigatório). O sádico não é alguém que odeia a humanidade. Ele se preocupa com o prazer do submisso e vice-versa. Esse é o tesão da coisa. A prática envolve prazer, dor, humilhação. O sadismo está intimamente ligado ao masoquismo. Aliás, são inseparáveis.

Segundo os adeptos, a premissa do BDSM (sigla inglesa que significa Bondage, Domination, Submission and Masochism – amarração, dominação, submissão e masoquismo) é: são, seguro e consensual.

São: antes de fazer, é necessário saber do que se trata e como funciona. Sem informação, não dá para optar por nada.

Seguro: as práticas são realizadas depois de muita conversa e, se necessário, exame físico. Senão um epiléptico pode cair duro no chão durante uma sessão de choques, por exemplo.

Consensual: tudo o que acontece é de comum acordo. Caso contrário, é agressão e deve ser denunciado à polícia.

O que Acontece

A verdade por trás do couro

O SM está mais para jogo sexual do que para espancamento. Alguns o chamam de “psicodrama erótico”. O que acontece é o seguinte:

  • Pessoas com gostos afins se conhecem e combinam o que farão na “cena” – episódios em que são encenados os fetiches: ser pisoteado por saltos altos, ser tratado como cachorro etc. Todos os detalhes e limites são amplamente discutidos e quem determina o que pode ou não ser feito é o submisso, não o dominador. Isso é decidido ANTES da cena e não durante – na hora H, o dominador é quem manda.
  • Para evitar acidentes, é combinada de antemão uma senha de segurança, que só deve ser dita em último caso, quando os limites estiverem sendo ultrapassados. Essa palavra não pode ser “não”, afinal escravo não fala “não” pro dono! Pode ser “chuchu”, por exemplo.
  • Muitos donos, escravos e submissos têm uma relação fora da cena. Eles criam vínculo afetivo, tomam chope, telefonam um pro outro, fazem compras juntos… e até se chamam de “mô” e “bizuzinho”.

Como entrar no mundo SM

E então você decide que quer dar umas palmadas na bunda de alguém sem medo de ser feliz. E aí? Não dá pra sair na rua perguntando: “Ei! Você gosta de apanhar? Usar prendedor de mamilos, então, nem pensar?” A sociedade é mal informada sobre SM e as pessoas acharão que você está precisando de uma camisa-de-força. Não force a barra. Com a Internet, ficou fácil obter informações sobre o assunto, conversar com praticantes e marcar encontros. Porém, para isso, é bom ter alguns cuidados:

  • Procure sites que contenham textos e e-mails de contato – assim dá para tirar as dúvidas. Sugestões: www.nossomos.com.br e www.smsite.com
  • Em chats de SM, tecle várias vezes com a mesma pessoa e só então marque um encontro. Em local público!
  • Marinheiros de primeira viagem devem acessar o site da Associação BDSM Brasil (criada em novembro de 2001, já tem quase 500 associados), que oferece conteúdo escrito, marca eventos e sugere links.

Como é?

Tudo está muito lindo, mas o que te interessa mesmo é saber quem enfia o que e onde. Como foi dito antes, existem graduações, mas não significa que haja “evolução”. Se você quiser fazer a vida inteira a mesma coisa, faça. Aqui vai um pequeno menu de opções:

  • SM LIGHT
    • Tapas: na cara, na bunda e onde mais lhe aprouver.
    • Humilhação verbal: “Cadelinha” ou “Seu broxa bastardo!”
    • Imitação de animais: rastejar e fazer barulho de porco ou de cachorro; colocar sela e montar como se fosse um cavalo (poneyman/woman); comer na tigela, usar coleira (dogwoman/man).
    • Pequenas lesões: arranhões nas costas, beliscões e apertões.
  • SM CLÁSSICO
    • Eletrochoque: não é morder fio desencapado. Existe uma aparelhagem específica para isso: eletroestimuladores, ou TENS (Trans Electric Nerve Stimulator). Eles produzem sensações que vão desde um formigamento até um choque sério. Pode ser usado externamente ou inserido no ânus e na vagina.
    • Cera de vela: o ideal é a de sete dias – acumula mais cera derretida e a mantém quente. Para começar, escolha as partes menos sensíveis do corpo, como braços e pernas. Depois, se gostar, vá para as mais sensíveis: mamilos, pênis, parte interna das coxas… Quanto mais perto da pele estiver a vela, mais quente estará a cera quando chegar ao corpo e, conseqüentemente, mais dor causará.
    • Chicote: dispensa explicações.
    • Prendedor de mamilos: objetos parecidos com pregadores de roupa postos sobre os mamilos (de homens e mulheres). Algumas vezes também ligados à corrente elétrica. Ui!
    • Cócegas: algumas pessoas ficam incontroláveis, em desespero e até chegam ao orgasmo.
  • SM HARD
    • Fist fucking: introdução da mão e do punho no ânus ou na vagina.
    • Water sports: chamados assim porque a matéria-prima são as secreções do corpo (urina, fezes e vômito):
      • o chuva dourada: urinar sobre a boca ou sobre o corpo do parceiro;
      • o coprofilia (ou scat): comer cocô, literalmente.
      • Obs.: alguns estudos antropológicos dizem que essa tara vem do comportamento animal de marcar o território com urina. Sendo assim, o submisso que gosta de tomar o líquido (ou comer o sólido) sente-se “propriedade” do dominador.
    • Misofilia: transar com gente suja e fedida. Mendigos, por exemplo.

Contrato de escravidão: faça já o seu!

Se você quer umas cadelinhas (ou, sei lá, arrumar um mestre), a Internet pode ser útil: no site do “Carcereiro”, já existem modelos de contrato de escravidão prontinhos! Eles não têm nenhuma validade legal, mas na comunidade BDSM são bem respeitados. É só preencher com seus dados e pronto! Aqui vai um esboço:

Eu,____________________, declaro-me neste documento voluntariamente escrava e submissa ao meu dono e senhor FULANO DE TAL, aceitando todas as regras aqui estabelecidas:

1 Confiarei no meu dono e farei todas as suas vontades.

2 Terei orgulho de ser escrava do meu dono, honrando seu nome e autoridade.

3 Jamais desobedecerei às ordens de meu dono e estarei à sua disposição 24 horas por dia.

4 Jamais gozarei sem a permissão de meu dono e só me masturbarei quando ele permitir ou ordenar.

5 Aceitarei amarramentos, algemas, vendas, palmadas, agradecendo sempre pelo privilégio de servi-lo.

6 Permanecerei cuidadosamente depilada da maneira que meu dono mais gostar.

7 Jamais implorarei para me soltar ou parar de me bater, a não ser que seja essa a vontade de meu dono.

8 Nunca discordarei de meu dono.

9 Dirigir-me-ei a ele sempre como Meu dono e senhor.

10 Sempre tomarei de bom grado o esperma que me for destinado, não derramando uma só gota.

Gostou e quer mais informações? Confira o Site do Carcereiro

A escrava que não é Isaura: Ela nasceu pra servir

Lígia é publicitária em São Paulo. Também se formou em Fisioterapia. Trabalha, ganha seu próprio dinheiro, não sai vestida de preto nem pede pra apanhar na fila da padaria. Ao contrário do que muitos pensam, os SMs não vivem em salas escuras se batendo o dia inteiro – também têm profissão, família, vão ao supermercado e fazem feira.

Você é escrava?
Sou submissa. Na minha opinião, escrava é aquela que se submete apenas fisicamente a um senhor. Já a submissa se submete física e psicologicamente.

Quando você sacou que curtia BDSM?
Há nove anos. O início foi ocasional, com um namorado: um tapa no rosto e uma “humilhação” verbal acenderam o desejo. Praticamos quase dois anos sem saber que o que fazíamos tinha nome. Atualmente estou com outro mestre, oito anos mais novo que eu.

Quais práticas você curte?
Bondage com cordas, correntes; vela e gelo; curto spanking, adoro apanhar com mão, chicote, chibata, cinto, palmatória; adoro vendas, gags e restritores de movimentos e dogwoman: andar de quatro, comer em terrina, dormir no chão, andar de coleira como um cachorro. E tortura nos mamilos e genitais.

Você já foi vendida?
Não. Mas, se meu mestre quisesse me emprestar a alguém de confiança, eu aceitaria.

Existem leilões de escravos ou isso é lenda?
Existem. Pessoas são vendidas, compradas ou emprestadas, de acordo com seus fetiches.

O mestre é sádico e você gosta de apanhar. Caso ele não te bata, isso é sadismo?
O SM não é seco assim. Por exemplo: curto apanhar e meu mestre é mais dominador que sádico – ele me proporciona a dor como uma forma de me ver bem, feliz, ou como prêmio.

Os escravos podem reclamar com os mestres caso estes não cumpram direito seu papel?
Se uma das partes está aquém do que se espera, independentemente de ser dominador ou submisso, a conversa é o ponto de equilíbrio. Sem um feedback, nenhum dos dois vai saber como as coisas andam. Dois pontos unem muito os casais BDSM: confiança e cumplicidade. E, se existe confiança, há total liberdade para conversar sobre assuntos ligados ou não à relação.

Se quiser conversar com a Lígia, o e-mail dela é bixinhu@uol.com.br.

O mestre mandou:
Entrevistamos um senhor de escravos pra ver se é bom.

“Carcereiro” é um engenheiro carioca de 54 anos. Depois que sai do escritório, ninguém sabe o que ele gosta de fazer. “Carcereiro” é mestre SM há muitos anos e nos explica o que, exatamente, isso significa.

O que torna alguém mestre SM?
É a mesma coisa que torna pessoas submissas cadelas ou escravas: a vontade, até meio inexplicável, de viver uma fantasia. Apenas em pólos opostos. Da mesma maneira que eu gosto de bater, há quem goste de apanhar. E ficamos todos felizes.

Existe diferença entre escravo e submisso?
Toda escrava é submissa, mas nem toda submissa é escrava. A escrava é totalmente passiva e não-participativa. Já à submissa é permitido (ou desejado) participação, não só na elaboração de fantasias quanto na existência de rebeldia aos comandos, para que haja a necessidade do castigo, do qual ambos tiram muito prazer. Há ainda a cadela, uma submissa que usa uma coleira e, eventualmente, lambe os pés do dono. No extremo, também pode comer em vasilha usando apenas a língua.

O dono pode vender, emprestar ou alugar seus escravos?
Sim. Submissas, cadelas ou escravas podem ser submetidas a qualquer dessas fantasias, desde que haja acordo prévio.

Só se pode ter um escravo por vez?
Não. Pode-se ter quantos quiser.

Perguntas mais freqüentes sobre BDSM

Rola penetração ou é só estapeação?
A combinar. É mito que nenhuma relação SM tenha aquilo naquilo. Se os envolvidos quiserem que role, rola. Caso contrário, ninguém afoga o ganso.
Esse povo que se açoita acha isso divertido?
É divertido se for a sua praia. Quando estamos sexualmente excitados, a maioria das estimulações podem ser divertidas, ainda mais levando em conta que os nervos sensoriais da área genital são condutores tanto dos estímulos de dor como dos de prazer.
Como saber qual é o limite para não morrer de dor?
A partir do momento em que você não tiver mais prazer, pare.
Mas isso não é pra mim, não!
Será? Se você gosta de assistir a filmes pornôs encenados em masmorras, curte ser arranhado, dar uns beliscões, tapas na bunda ou puxar o cabelo, você tem uma quedinha pelo SM. Caaalma! Da mesma forma que nem todo mundo que curte beber vira alcoólatra, você também não precisa gostar de ser espancado. O BDSM vai do light ao escatológico – o menu é amplo. Você curte dar uns tapas mas não faz chuva dourada nem a pau? Tudo bem. Não é necessário gostar (nem fazer) de tudo.
E se eu tentar mas não gostar?
Caso você experimente e decida que não é para você, que assim seja. Nesse caso, você é um “baunilha” – termo usado para designar os não-adeptos. A gíria nasceu por causa do sorvete de baunilha: ele dá base para a maioria dos outros sabores, mas, sozinho, é bem sem gracinha. Sem gracinha aos olhos deles – isso não quer dizer que você seja sexualmente uma toupeira. Não fique triste: você também é normal.

TUCKER

Tanto quanto eu possa me lembrar, sempre fui fascinado por sapatos finos e elegantes quando calçados por mulheres que tenham pernas com um belo formato e pés bem formados de forma que aquele sapato ou bota abrace e ajuste-se aos contornos dos pés e pernas, com uma perfeição que dê a quem vê a impressão de serem uma parte de seu charme pessoal ou possa se dizer que ajusta-se como fosse uma segunda pele.

E onde ou quando quer que seja que meus olhos se banqueteiem com a visão dessas damas vestindo sapatos de couro brilhante com salto alto ou botas, eu me estimulo sexualmente e fico muito excitado.

Isso pode acontecer no trabalho na loja de departamentos onde eu estou empregado ou nas reuniões de equipe, festas em casa ou em qualquer lugar em público; sim, mesmo na igreja ou nos enterros.

É óbvio que a maioria das mulheres ignora de como seus sapatos belamente brilhantes afeta os sentidos de alguns homens mas, sem dúvida, muitas mulheres tem consciência do que os seus sapatos e botas podem fazer à eles. Eles selecionam cuidadosamente os estilos e os couros mais finos e brilhantes que existem de forma que elas tenham todo o instrumental para sedução.

Quando eu me apaixono por um sapato ou bota sexy de uma dama, eu faço um estudo, admirando o arco da parte interna de seus pés que um salto alto e fino serve para enfatizar e sinto uma necessidade de ajoelhar-me e lamber fervorosamente e beijar o sapato sexy e brilhante em uma humilde homenagem e tornar-me um escravo pessoal de botas daquela dama. Aqueles são meus pensamentos secretos quando eu me masturbo ou fodo minha esposa. Ela me ridiculariza freqüentemente por essa “coisa” minha referente ao calçado feminino e então, para puni-la, sempre visualizo-me como sendo o escravo sexual de outra mulher e finjo me engajar nesses jogos de dor e prazer com algumas das amigas dela. Neles, eu estou atado inapelavelmente nas mãos e pés por elas e sou chicoteado com um chicote de montar no meu traseiro para o próprio prazer delas e então fazem-me lamber suas botas de couro brilhantes como uma homenagem preliminar antes de fazer-lhe sexo oral.

Eu nunca fiz sexo oral em minha esposa que diz que pessoas de bem não fazem coisas vulgares como essas mas isso tem se tornado meu desejo urgente de algum dia ser premiado como alguma mulher dominante que tire seu prazer pessoal no sexo de ter o marido de outra mulher devotar honra à sua moda humilde.

Masturbo-me desde que tinha 12 anos e foi uma garota de quatorze que me iniciou no meu passatempo. Minha mãe a tinha convidado para ficar comigo enquanto ela saia. Ela adorava me espancar com um bastão de jardim em minhas nádegas durante as nossas brincadeiras. Ela usualmente usava sandálias de couro preto que eu adorava e ela me deixava beijar e lambê-las com os joelhos dobrados o que a fazia divertir-se.

Na escola, a visão de minhas professoras usando sapatos de salto alto e brilhantes sempre serviu-me para me dar ereções incontroláveis e eu simplesmente tinha que me masturbar.

JACK

Eu tenho trinta e três anos e sou divorciado. Minha ex-mulher era a primeira pessoa com a qual eu tive um relacionamento sexual sério, mais antes do que durante o casamento que foi bastante convencional, possivelmente devido à minha falta de experiência naquele tempo. Sexo oral limitado e um “papai e mamãe” convencional, homem acima e homem abaixo. Desde nossa separação, tive a sorte de encontrar um número de mulheres de diferentes nacionalidades e tenho desfrutado de uma vida sexual mais variada e interessante.

Masturbação tem sido uma parte regular de minha vida desde que eu me lembro. Os primeiros orgasmos que eu posso me lembrar , vieram de escalar cordas. Eu deveria ter uns onze ou doze anos naquele tempo. Eu me lembro de haver ereção mas não ejaculação mas que foram tão intensas e duraram mais do que parecem durar hoje, quase como um orgasmo feminino, imaginei.

Um fator comum em todos os meus sonhos, tanto na adolescência como hoje, são sapatos de salto alto. Posso me excitar com sapatos nas vitrines das lojas, em fotos e em ver mulheres vestindo-os. Fico muito excitado quando minha parceira concorda em vesti-los enquanto temos sexo e em particular quando ela toca meu pênis com os saltos durante as preliminares. Meus sapatos favoritos são aqueles com aberturas largas nos dedos e com tiras nos saltos. Cinco polegadas é a altura perfeita. Se mais alto, tornam-se não naturais e afetados. Eu tenho um relacionamento muito feliz com uma mulher que ajudou-me a encenar a fantasia que tive por um longo tempo. Antes de chupar meu pênis até que estivesse totalmente molhado, ela tirou um dos sapatos (meu tipo favorito) e colocou meu pênis dentro através da abertura dos dedos. Então , sugando a cabeça do pênis e mexendo o sapato para cima e para baixo, ela me deu um maravilhoso orgasmo em sua boca, um prazer tanto físico como mental.

Uma extensão dessa fantasia é que ao invés de sugar meu pênis, ela deita-se e guia seu sapato, com meu pênis dentro, para os lábios de sua vagina e bem devagar e gentilmente me permite empurrar o salto dentro dela, ficando ambos unidos apenas pelo sapato. Consigo levá-la ao orgasmo por fodê-la com o salto, enquanto o movimento de empurrar meu pênis para cima através da abertura dos dedos leva-me a gozar sobre seus seios e rosto. Essa fantasia, eu penso, nunca será encenada dado que eu tenho medo que possa ser muito dolorosa para a mulher, mesmo usando saltos muito finos e não posso tolerar a idéia de causar dor.

Devo mencionar que não considero que meu amor pelos saltos altos seja um fetiche verdadeiro e, apesar de me dar um parazer grande e sem danos, eles não são necessários para que eu tenho uma ereção ou ejaculação. Eles são cobertura em um bolo, um bônus sexual.

Minha última e mais constante fantasia é a de ser uma mulher. Eu amaria vestir roupas femininas, em particular sapatos de salto alto e sou fascinado pelas histórias e artigos de operações transsexuais. Tento imaginar o que deve ser renascer como uma mulher aos trinta e três anos de idade com todos os problemas – legais, físicos e mentais – que estariam envolvidos. Todavia, não tenho nenhum interesse em relacionar-me com homens. Eu tentei imaginar o que deve ser chupar um pênis masculino. Ser homossexual é a resposta óbvia para todas as minhas fantasias, mas conscientemente, eu não quero isso na verdade. Possivelmente, meu subconsciente tem outras idéias; mas estou mantendo tranquilo no momento. Eu não posso assumir nada. Sinto-me como se fosse uma lésbica com pênis e na minha fantasia de mudança de sexo, é isso que me torno, uma lésbica mas com o conhecimento masculino!

Eu aceito o que sou e isso faz a vida mais fácil. Provavelmente explique o fracasso do meu casamento e minha inabilidade para conquista e de ter um relacionamento de longo prazo com qualquer de minhas amigas mulheres. Acredito que elas tenham um instinto sobre esses asssuntos e apesar de parecer e agir como um homem, acredito que elas podem sentir que algo não encaixa. Eu acredito e desejo que eu encontrarei uma parceira que pode aceitar um homem gentil, mais feminino no pensamento; provavelmente um homossexual com uma vagina!

KEITH

Minha excitação começa quando estou trabalhando em uma grande loja de departamentos. Eu fico “ligado” em mulheres que vestem vestidos curtos ou longos com fendas que exponham um pouco das coxas. Apesar de eu ter apenas dezessete, eu me ligo em mulheres que tem , pelo mnos, vinte e cinco anos de idade, e pelas de cinquenta ou cinquenta e cinco anos. Se elas não forem muito feias com quase cinquenta. Eu fico imaginando qual é o tipo de pernas tem Doris Day. MItizi Gaynor tem as que eu considero as melhores.

Continuemos com minha fantasia. No trabalho eu finjo que algumas mulheres com excelentes pernas e um bom corpo aproximam-se e perguntam onde é o banheiro. Depois que ela está na sala dos fundos mas não ainda no banheiro, ela diz que gostaria que fizesse sexo oral com ela e a fodesse. Nós vamos para um canto e nos beijamos. Então, ela levanta o vestido que descobre a xoxota com uma meia-calça cobrindo os pelos pubianos. Eu começo a chupá-la através da meia-calça (marrom ou cor da pele). Depois que ela começa a ter seu primeiro orgasmo, eu retiro a meia-calça, lambo seu gozoo e então a fodo por algum tempo. Então ela vai embora.

Outra coisa que me excit é ter de colocar alguma coisa no carro de uma freguesa. Ela tem um vestido curto e quando senta-se, expõe um par de excelentes coxas. Ela insiste que aceite uma gorjeta. Recuso e digo à ela que ela tem boa aparência e pernas bonitas, que qualquer coisa que necessite é de graça. Aí é onde a fantasia começa: ela diz ser divorciada e que gostaria de alguém com quem conversar, então fizemos os arranjos para nos encontrar em sua casa naquela noite. Quando cheguei, ela atendeu a porta em um vestido curto preto, meia-calça marrom e botas. Ela vai até seu quarto e coloca o que estava sobre sua cama: um vestido que vai até aproximadamente meus joelhos, uma meia-calça marrom escura e nada exceto essas duas peças. Eu volto para a sala de estar e ela está sentada em uma cadeira baixa, expondo muito de suas belas pernas e diz que posso fazer o que quiser. Eu me ajoelho na frente dela e começo beixando suas pernas dos dedos do pé aos jelhos. Ela me pergunta se é a única parte do corpo dela que gosto. Eu agora deslizo minhas mãos sob seu vestido na parte de fora da suas pernas até sua xoxota que parece ótima com uma meia-calça super macia cobrindo-a. Ela tem belos seios com belos mamilos que combinam com sua figura esguia. Sua xoxota está quente e eu a esfrego ainda coberta pela meia-calça, até que ela grita para que eu a foda. Eu abaixo minha cueca enquanto ela faz o mesmo com a meia-calça levando um tempo que parece horas. Então ambos colocamos nossas meias-calça e rolamos em um 69 no chão. A xoxota e pernas dela envolvidas em nylon cobrem meu rosto e minhas bolas e pau , cobertas também em nylon, envolve o rosto dela. Nós nos encontramos toda a semana no partamento dela para nossas pequenas sessões.

(É excitante tomar banho com uma meia-calça e lembrar todas as pernas que eu vi aquele dia, o que me faz gozar).

Hora para o chuveiro!

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Em algumas da fantasias acima, o homem imagina-se vestindo um “quê” do aparato fetichista feminino. Isso levanta a questão velada do travestismo e da homossexualidade. Por favor, notem que um não necessariamente implica no outro – uma confusão que existe mesmo entre pessoas de bom nível. A grande maioria dos homossexuais nunca vestiu uma roupa feminina e , por outro lado, existem homens que amam vestir roupas femininas, mas nunca tiveram nenhuma experiência homossexual em suas vidas.

Durante o jogo sexual, os amantes pordem tentar todas os tipos de posição mas raramente o homem suspeita de ser “secretamente” homossexual porque aprecia ter as mulheres em posição dominante. Jack (acima) está tão apaixonado com seu fetiche que ele, também, penas em infindáveis variações do jogo erótico que centram-se em sapatos de salto alto, incluindo calçá-los. Mas então, ao invés de ter isso apenas como uma instância da imagina erótica para ter novos caminhos de excitação, ele pensa que deve ser homossexual. Afinal, ele gosta de colocar roupas femininas, não é verdade?

Eu encontro algo corajoso no jeito que ele continua com essa confusão inocente até o final, inventando fantasias homossexuais para si mesmo. Mas elas “não me causam excitação alguma” e julgando-se pela evidência inerna de sua carta, ele nunca teve um caso homossexual em sua vida. Porque muitas pessoas preciptadamente se rotulam exatamente como elas mais temem?

A falta de intyeresse de Jack por um sua fantasia homossexual ilustra uma forma de explorar muitas idéias importantes: primeiramente, que as fatasias são uma forma de brincar com nossas fantasias particulares e nossas especulações acerca de nós mesmos. Depois, as fantasias podem ser fins em si mesmos, não sendo necessariamente desejos que você secretamente desejaria fazer se tivesse mais coragem.

Provalmente, nem todos os fetichistas exercitam suas idéias de travestimo. Se não é o sapato de salto alto mas os pés dela que são erotizados, a idéia é sem sentido. Você pode vestir um sapato mas você poderia retirar os pés de uma mulher para colocá-los?

Outro dado interessante do pensamento fetichista é a quantidade de detalhes associados ao objeto. O fetiche é amorosamente descrito, exaustivamente examinado: a altura exata do salto, a marca da meia-calça, a cor, os formatos, a sensação e o cheiro. Ninguém tem clareza do porquê dos objetos de fetiche ser tão particularizados mas nós podemos iniciar essa reflexão se nos lembrarmos que o fetichista persegue algo tão importante como a vida em si.

Se um homem diz que está apaixonado por sua mulher, nos surpreenderemos com a atenção enorme para com sua aparência? Ele prefere os cabelos dela escovados para trás, porque gosta de ver a testa dela; ele gosta de Arpége e fica infeliz quando ela experimenta Chanel No. 5. “Porque você veste preto – ele lamenta – quando ou azul a faz parecer como um anjo?” Se você ama alguém, não háo qualquer detalhe sobre ela que seja sem importância. Porque nós devemos nos surpreender se o fetichista dedica a mesma atenção ao seu objeto amado?

Finalmente, eu gostaria de especular sobre a idéia mencionada por Tucker (acima) que pergunta se as mulheres conhecem o poder de sedução de seus sapatos. Sua própria resposta é ambivalente, mas ele aponta algo que sempre me surpreendeu: ambos os sexos são atraídos pelos sapatos femininos, não apenas os homens.

Pense na quantidade desproporcional de dinheiro que as mulheres pagam por seus sapatos; o grande espaço dado aos sapatos nos closets e nas malas. A dor que suportar4ão para vestir um número pequeno ou um salto muito altos. Uma mulher vem para casa com um vestido novo: “Você deve imaginar esse cin estes sapatos” – ela diz, segurando-os. “Cem dólares por esses sapatos?”O vestido vai até o chão e ninguém vai vê-los!” A mulher ri-se. Ela sabe a importância dos seus sapatos.

Se, estritamente falando, as mulheres não são fetichistas, porque são tão loucas pelos sapatos? Elas tem uma consciência intuitiva do quanto o homem é atraído por sapatos, mais do que admitem? Pode ser que Winnicott esteja certo depois de tudo – que muito antes courosde papai entrarem na adolescência, uma garotinha, engatinhando no chão da cozinha, torna-se enfeitiçada, assim como seu irmão, com o glamour e segurança de estar próxima de um sapato feminino (da mãe)?