Arquivos Diários: Maio 23rd, 2008

NEIL

Durante metade do tempo, minhas fantasias eram realmente coletâneas de encontros sexuais anteriores, levemente envolvidas pela “roupagem” de uma garota envolvida em roupas que me são atrativas sexualmente falando. Eu me excito com sapatos femininos desde a infância. Uma das memórias eróticas mais antigas era o de estar no “closet” de minha irmã mais velha, sentado no chão entre os sapatos dela e sentindo o odor exótico do perfume feminino, talco e bom couro. Não me recordo de estar fazendo nada , excelto estar no escuro, em um lugar semi-proibido e sendo estimulado. A atração intensificou-se durante a adolescência quando eu descobri a masturbação com revistas “de garotas” como uma saída para minha crescente energia sexual. Como você provavelmente sabe, as modelos naquelas revistas quase sempre vestiam lingeries provocativas e inevitavelmente vestiam cintas-liga e saltos altos.
Os calçados em moda durante os anos de minha juventude eram os de ponta e de saltos tipo “stilletto” e descobri, lendo sobre fetichismo, que esse é o tipo de sapato que ainda atrai a maior parte dos fetichistas. De alguma forma, difiro-me deles porque a minha preferência mudava enquanto a moda também mudava. Na escola secundária e colégio, eu era extremamente atraído por mulheres que usavam meias soquete e sapatos baratos e os fechados. Novamente, ao contrário de muitos fetichistas sobre os quais eu li, o sapato “por si” naõ tem atração intrínseca; atraio-me pela mulher mas os sapatos geralmente intensificam o meu desejo , especialmente se ela está calçada segundo a moda.
Tenho trinta e um anos, divorciado e com uma atividade de venda de seguros relativamente bem sucedida, vivendo em um condomínio de apartamentos. Minha vida sexual é ativa e eu prefiro a “monogamia serial” do que ter encontros com muitas garotas de uma vez. Gosto de participar das fantasias de minha garota e realizá-las conquanto que ela seja liberada o suficiente para fazer tal coisa. Consequentemente, já estive em tudo o que um homem e uma mulher podem fazer juntos – tudo, menos a minha fantasia particular. Sinto que o fetichismo com sapatos é
muito comum, como testemunhamas anteriormente mencionadas “revistas de garotas”,mas esse é um assunto que os homens têm vergonha de discutir entre si. Perguntei para as meninas para permanecerem com seus sapatos enquanto íamos para a cama e a reação foram todas as mesmas – uma concordância passiva sem excitação e, tenho certeza, um grau de desgosto, algo como “posso tirar meus sapatos agora?” imediatamente após o orgasmo.
Minha fantasia principal, com variações, ocorre depois a metade do tempo que uso para masturbar-me ou fazer amor. Para economizar espaço, colocarei tudo junto mas eu nunca concebi a fantasia toda ao mesmo tempo, apenas partes dela: um homem é amarrado à uma cadeira no quarto de uma mulher feminina e atraente. Emalgumas ocasiões, o homem sou eu, algumas outras, um observador. Ele está nu ou vestindo roupas íntimas e meias femininas. Uma mulher bonita, algumas vezes negra, está sentado ante ele num divã, experimentando sapatos de todos os tipos, clássicos como os Gucci e plataformas de I. Miller; com assustadores saltos plataforma e saltos imensos, sapatos juvenis como tamancos e sapatos baratos. Quando ela faz isso, ela continuamente provoca o homem: Você gosta desse par? Gostaria de lamber esse sapato? Como você gostaria que esse salto entrasse no seu cu? O homem contorce-se na cadeira e ela ocasionalmente fricciona o sapato contra a sua vagina aberta. Finalmente ela o liberta e ele cai aos seus pés, e, perdido em uma pilha enorme de sapatos, lambendo e beijando os pés dela apaixonadamente.
Em uma ocasião eu discuti essa fantasia com uma mulher. Nós tínhamos nos encontrado várias vezes e fizemos amor em muitas delas. Ela era uma uma bacharel e trabalhava em seu mestrado de psicologia e vivia no complexo. Ela estava mudando de cidade e de universidade e nós saímos para beber cerveja e comer pizza na sua última noite na cidade. Retornamos para o meu apartamento, fumamos um baseado e começamos a fazer amor. Eu pedi para que ela ficasse com seus sapatos, algo que fiz anteriormente com outras garotas com resultados limitados mas ela concordou de boa vontade. Nós fodemos, foi maravilhoso e deitamos, conversamos e fumamos mais um baseado.
Talvez tenha sido a erva ou a cerveja ou também o fato de que nunca a veria novamente mas quando ela perguntou , com um sorriso curioso, o porquê de eu querer que ela ficasse com os sapatos, eu abri meu coração e disse toda a fantasia à ela. Talvez por seu conhecimento de psicologia, ela não se chocou ou reprovou minhas revelações mas mostrou-se genuinamente interessada, quase excitada. Ela perguntou-me se eu queria fazer aquilo com ela e eu estava tão excitado que não pude parar de tremer.Ela perguntou-me se eu queria que ela voltasse para seu apartamento onde poderia pegar alguns sapatos de salto alto mas eu temi que ela se arrependesse se a deixasse ir , portanto, disse que aqueles que ela vestia eram perfeitos. Ela calçava um para de tamancos da Bass Veejum, com saltos mais altos do que os antigos. Ela disse para ajoelhar no chaão e provocou-me verbalmente como era na fantasia. Ela deitou-se na camaa novamente e esfregou-se com o sapato e , calçando-o novamente, ordenou-me lambê-lo. Enquanto fazia isso, ela se masturbava e quando estava quase gozando, pediu-me para fazer sexo oral.Fiz avidamente e masturbei-me até o gozo.
Conversamos por mais algum tempo como se nada de estranho houvesse acontecido e ela, finalmente, foi embora retornando ao seu apartamenteo. Nunca mais a vi, apesar de pensar muito nela. Acredito que teria medo ao econtrá-la novamente.
Mais tarde, naquela mesma semana, comprei um par indêntico de tamancos no departamento de calçados femininos de uma loja local. Estava nervoso e um tanto excitado quando o atendente retornou com eles. Nevoso porque o atendente poderia saber que eram para mim ao invés de ser para minha esposa como havia dito e excitado com a idéia de ter um par dos sapatos dela. Eu corri para meu apartamento, parando apenas para comprar um par de meias de perna inteira, colocando-as dentro dos meus sapatos feminos. Devou ter me masturbado duas ou três vezes aquela noite e por semanas e isolei-me atrás de portas trancadas para fazer o mesmo.
Eu acredito que minha visão, se é que estou tentando construí-la, é de que tenho uma vida sexual agradáel e minha fantasia ajuda a enriquecê-la. Eu tenho uma visão fetichista agora quando meu encontro noturno está para acontecer, brevemente. Eu estou assando alguns filés para nós no pátio, perguntando-me , desde já, qual sapatos ela estará usando. Você vê?

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Existem homens que dizem que o fetiche – o sapato, fralda ou o que quer que seja – apenas adicionam um “tempero” ao molho sexual. Essencialmente, eles declaram que é a mulher que eles querem e que o fato delas estarem vestindo saltos altos apenas “aumentam o seu desejo”. Neil (acima) declara essa idéia explicitamente: “… ao contrário de muitos fetichistas… o sapato por si não tem nenhuma atração intrínseca…” Todavia, ele termina seua carta com uma anedota quanto ao fato de sentir-se “altamente excitado” enquanto compra um par de sapatos femininos em uma loja de departamentos e usá-los para masturbar-se “três ou quatro vezes aquela noite” apesar de não haver nenhuma mulher presente.

A teoria freudiana do fetiche é definida pelo fato de seu desejo não ser, primariamente, a mulher. Como Neil, ele apenas vai apra casa com um par de sapatos. Ele tem o pênis. Aliviado de sua ansiedade de poder tê-lo perdido, ele sente-se seguro, satisfeito e sexy. Ele não precisa de nada (e ninguém) mais.

Muito para Freud. Para mim, a teoria tem uma certa lógica; mas não tem o “quê” de certeza quando o insight psicalítico entra em cena. Mas então, dado eu não ser fetichista, porque deveria esperar algo diferente? Uma explicação mais recente para o fetichismo vem da escola inglesa de psiquiatria na qual o Dr. D.W. Winnicott é o seu maior teórico. Aqui o sentimento é que o fetiche não pode ser apenas uma mera confirmação que o pênis não foi destruído. O objeto do medo não é o medo do pai punidor mas da mãe que sustenta a vida. Para Winnicott, o fetichismo remete a um tempo quando a separação da mãe é a morte em si. Como Linus agarra-se ao seu cobertor de segurança quando está sozinho e preocupado, ele arma-se do fetichismo contra os seu medo infantil de perder sua mãe por agarrar firmemente no seu objeto de fetiche, em um abraço amoroso.

Apoiando a idéia de Winnicot existem as fantasias nas quais o objeto de fetiche são as fraldas ou algum item de borracha como o avental vestido pela mãe quando ela banhava seu bebê; esses são totens da idade pré-edipiana. Mesmo a assustadora freqüência na qual os pés ou sapatos são escolhidos como fetiche pode ser vista como evidência da teoria de Winnicott. Do ponto de vista tomado do chão, quando ele assusta-se e engatinha de volta para a mãe tão rápido o quanto consiga não é o calçado o primeiro item de sua pessoa que ele pode tocar e agarrar para sua segurança?

Na linguagem de sua teoria, o fetiche é um “objeto de transição” – aa criança que engatinha abreviar seu medo e solidão. Tendo uma lembrança da evidência inconsciência do calor da mãe e do conforto que ele proporcionava, ele é encorajado a ir além , para os prazeres sexuais.

Ambas teorias tem muito para recomendar a eles e talvez a síntese de ambas possa ser feita: um leitor cuidadoso já teve ter notado que enquanto as fraldas de Kip (acima) podem ter se tornado seu objeto de fetiche porque eles são facilmente associados com seu pênis, então as fraldas também são ligações antigas com o amor e segurança de sua mãe. Na falta de consenso entre os psicanalistas, nós temos liberdade de escolher quaisquer uma das explicações que nos pareçam convincentes.

Existe, todavia, uma outra evidência a considerar: as meninas bebês tem o mesmo medo inconsciente de perder a mãe com os rapazes têm mas as instâncias de fetichismo entre as mulheres são tão raras que são praticamente desconhecidas, sendo, casualmente, a cleptomania um problema exclusiamente feminino.

Quando as mulheres assumem muitas das responsabilidades masculinas em ummundo “igual”, já contamos com um aumento da incidência , entre mulheres, de reclamações tradicionalmente masculinas como problemas cardíacos ou mesmo calvície. É interessante especular se mulheres mais independentes – se como os rapazes – têm sido treinadas para separerem-se das suas mães tão cedo quanto possível da mesma forma dos garotos – nos permitirá ver mulheres fetichistas? Isso daria muita vantagem da escola de Winnicott sobre a Freudiana.

Todavia, esse tempo não é agora. Apesar de ser verdade que o fetichismo sempre parece ser sub-determinado – análises mostra que pode ser um objeto ransacional (como Winnicott usa esse termo) e algo que vem impresso nas associações entre amor e excitação – ele também é usado como uma forma de deslocamento do pênis . Nessa evidência, nós devemos dizer que o fetichismo é fortemente ligado ao homem. Sob essa luz, Freud torna-se muito persuassivo.

(Continua)

O que escrevi antes é a resposta ao comment do post da Anais Nin!
Perguntam-me sobre libertação no BDSM…
Cada praticante de BDSM terá as suas razões inconscientes e subliminares para sentir a atracção do abismo da Dominação, submissão, Dor… Cada um falará por si. Eu falo por mim…

Quando o BDSM é um chamamento irrecusável e que nos dá comichão na palma das mãos e arrepios na coluna, sente-se a adrenalina do medo e pergunta-se: “Eu seria capaz…?”
Vai-se pensando e vendo fotos e filmes e marcas no corpo de outros que pensaram o mesmo, vê-se gente humilhada, cuspida, massacrada por impropérios e desprovida de dignidade, e pensa-se sempre o mesmo: “Eu seria capaz?…”
Depois, começa-se a tactear o próprio corpo à procura de outras vertigens, com imagens nos olhos e na cabeça, começa-se a beliscar mamilos e a ouvir palavrões ao ouvido. E sempre a pensar “Eu seria capaz…?”
Um dia, se tivermos sorte, alguém atento percebe que a virgindade corrompida do desejo baila no fundo das frases e dos olhares e que há um fruto maduro a colher.
Se tivermos azar, um/a qualquer idiota convencido/a que percebe de gente e de alma e de sentimentos, ataca em várias frentes e convence-nos que somos para usar e deitar fora – vítimas das circunstâncias, apenas.

Mas quando se sente o apelo de vôos ousados e de grilhetas a arrastar desde sempre, ainda que sem nome, seja de quem for que se aproxime com a mesma identidade, sente-se o cheiro no ar e as narinas dilatam. Reconhece-se um igual, um par, um companheiro de armas na mesma cruzada. Faz-se a corte e juntos procuram crescer nas mãos do outro. Começa o fogo de artifício do fazer e do sentir, e as entregas degladiam-se em jogo de titãs – jogo de tudo ou nada, dar ou receber, ficar ou partir.

Em mim, dentro da concha do que sinto, a libertação faz-se de dentro para dentro, e exuda-se em marés de contentamento calado mas reconhecido. Cresço de cada vez que sofro por Amor – não, não me enganei, Amor – o que faz qualquer entrega real e completamente altruísta até ao ponto de não-retorno.

É preciso ser muito livre e muito gente para decidir explorar o sentir de dores maiores e alegrias maiores às mãos de alguém; é preciso ser muito livre para se deixar aprisionar! Amar é prisão! Liberdade é prisão! Estar preso por amor é Liberdade!

Dei recentemente uma entrevista em que me perguntavam se algum dia deixaria de praticar BDSM, se sairía do seu plateau…
Respondi: “No dia em que me sentir violentada, salto fora…!”
Isso acontece no dia em que percebo que a libertação acabou, o amor acabou e já não sinto comichão na palma das mãos…

(Fonte: http://misslibidonopaisdasmaravilhas.blogspot.com/2007_01_01_archive.html)