Pular navegação

SERÁ UM PRAZER TÊ-LOS COMIGO NO MEU NOVO BLOG, INAUGURANDO UMA NOVA ERA PARA MIM:

http://janussw.blogspot.com

CONTO COM TODOS LÁ

 

“Sade é sem dúvida um autor famoso. Para alguns, ele é um gênio que grita pela liberdade em meio ao século das Luzes (um Voltaire maníaco por sexo), para outros, mero tarado sexual com dotes literários medíocres.
Apesar de tê-lo lido com alguma atenção e entender um pouco o que os especialistas veem nele, suspeito que, antes de tudo, seu sucesso se deu porque ele era um nobre “em desgraça” que escrevia pornografia pesada (quem não gosta?). Se ele estiver certo, somos todos tarados sexuais. Mas levemos a sério sua “crítica” e vejamos aonde ela nos levaria hoje.
Sade funda uma “tradição” que é ver no sexo algo além dele. Muitos o seguiram nessa suspeita de que sexo é mais do que sexo. O Sade político ou psicanalista é o mais famoso. Mas há um Sade “metafísico”.
Segundo sua metafísica, a Natureza é perversa e cruel e, portanto, a rigor, não há crime ou transgressão porque a regra é o crime e a transgressão. Nesse sentido, ele se aproxima muito dos cristãos antigos conhecidos como gnósticos, caras que afirmavam que o mundo foi criado por um deus mau.
Segundo o que nos legou os críticos desses gnósticos, alguns deles se entregavam a todo tipo de sexo, menos o reprodutivo, como forma de desafio ao deus mau. Diriam eles: “Veja, oh! Miserável deus, você nos fez gostar de sexo para reproduzir suas vítimas, por isso fazemos apenas sexo estéril”. Já há aqui algum indício da “sexualidade de protesto”.
Mas o Sade político e psicanalista é mais fácil de circular em jantares inteligentes. Seus frequentadores são consumidores envergonhados de antidepressivos, não aturam pessimismo de gente grande como a metafísica de Sade.
A política sadiana identifica na moral social a intenção de nos destruir pela repressão do desejo. Quem busca a “virtude”, como sua personagem Justine, é objeto “feito” para ser torturado por uma sociedade que dá corpo à crueldade da Natureza louca. A revolta nesse caso é ser sexualmente “livre”: transformar-se no libertino, ou seja, no torturador, identificando-se com a “regra da crueldade gostosa”.
Já o Sade psicanalista é aquele que “pressente” o gozo da pulsão de morte como natureza essencial do animal louco que seríamos. Violência, revolução e gozo.
Depois dele, nunca mais fomos para cama com alguém sem levar junto Freud (mamãe e papai), Marx (e a ideologia de classe), Foucault (e a microfísica do poder invisível), enfim, haja cama grande para tanta gente.
Não fazemos mais sexo, fazemos política e sintomas quando temos tesão por alguém. Confesso que no fundo acho esse papo de perversão sexual meio “boring” (um saco): bater, queimar, cortar, apanhar, ser queimado, ser cortado. A mesma lengalenga de sempre. A morte para um perverso é achá-lo entediante. Na realidade, a política sadiana hoje está espalhada em sites sado-maso banais.
Acho mais interessante imaginar o que Sade teria escrito hoje, se vivesse em nossa época, dada a delírios de uma nova “pureza”. Imagine, caro leitor, que existem pessoas que “salvam” o mundo comendo alface! Um exército de rúculas! O que seria transgressivo no caso da “nova pureza”? Tiraria ele sarro do “pai Obama”? Ou talvez ele fumaria um cigarro no meio de um templo onde se reúnem os fascistas da saúde?
Mas tabaco faz mal! Claro que sim, mas ser violentada por cinco caras também faz mal. Fazer sexo nos telhados, como gatos, também faz mal. Por que achar que isso é libertador e fumar não? Vamos adiante, quem é o novo Sade? Que tal comer gordura trans? Ou será que a “ciência da comida saudável” já mudou de novo e agora comer gordura trans combate ataques cardíacos?
Vejo um Sade gordo, dilacerando uma picanha em meio a um restaurante de comedores de rúculas. Chorariam? Ou o espancariam? Vaquinhas jamais, mas sádicos comedores de carne e fumantes merecem uma surra? Ou apenas desprezo e nojo? Os nazistas também eram defensores dos animais…
Sua Sodoma seria deliciosamente poluída, rindo das “medições” do aquecimento global. No lugar da teoria Gaia da “mãe terra”, a “devoradora terra” gargalhando de nossa “devoção verde”.
O Sade do sexo envelheceu. Hoje todo mundo acha chique achá-lo chique. O novo Sade é aquele que, talvez, debocharia de uma sociedade da saúde. O que nos humaniza são os vícios, não as virtudes. Temo pessoas que não têm vícios. O novo hipócrita é magérrimo, “verde” e antitabagista.”

“Eles têm medo do que não entendem

Eles gritaram: “Isto não é música, é barulho

Vocês não vão a lugar nenhum com isso.”

“Hmhmhmhmhm, seus otários! Nós atropelamos vocês!

Nós passamos por isso”

(Camisa de Vênus, Passamos por isso)

Não gostaria de voltar à esse blog para comentar a mais recente investida contra o BDSM, se é que de fato ela vai se transformar em uma investida ou apenas deixar em quem assistiu, a sensação de uma perversão absoluta, de algo promíscuo, sujo, com pessoas que pensam que podem controlar a regra do jogo onde se meteram (o que na verdade não podem) e se prestam à papéis que são, minimamente, ridículos.

Se você não sabe do que estou falando, esclareço referir-se à celeuma criada pelo programa “Troca de Família”da TV Record o qual, afirmo, não assisti e não tenho interesse em ver também, dado ao fato puro e simples dessa rede de televisão ser ligada, de forma inacreditável já que a legislação proíbe a propriedade de televisões por parte de Igrejas, à Universal do Reino de Deus, a qual me recuso até a pronunciar o nome. Portanto, o que lerão aqui é uma reflexão até certo ponto “requentada” sobre o que nos aguarda enquanto praticantes e também, ao meu ver, um questionamento sério sobre a questão da luta por “aceitação” do BDSM na dita comunidade baunilha.

Tomei contato da questão através de um casal de amigos que me detalhou o que aconteceu no programa e confesso, com toda a sinceridade, que não me surpreendi. Em um dos contos do Edgar Allan Poe, ele discorre sobre uma expressão latina que acho interessante resgatar aqui, “quo bono”. O genial escritor americano elucidava que a expressão significava “em benefício de quem” e acredito que devamos perguntar, necessariamente, em benefício de quem foi feita aquela “reportagem” e em depreciação de quem ela também foi feita.

Desde que o mundo é mundo e as religiões se sistematizaram enquanto tal, a sexualidade foi um elemento a ser controlado no ser humano, uma forma de alienação da busca de Deus e uma visão patrimonialista que acabou por contaminar e ao mesmo tempo orientar as concepções religiosas em maior ou menor grau. Ao meu ver é impossível descontextualizar esse programa dessa lógica, especialmente em uma “modalidade” onde , para quem não a conhece, cabem bem as palavras perversão, sujeira, transgressão, imoralidade e , finalmente, um ambiente “demoníaco”, o contraponto a uma proposta supostamente ascética, moral e inspirado no uso “divino” da sexualidade apenas com fins de procriação.

Indo direto ao ponto, o que se pretende é criar uma clara afirmação que há um mundo do interdito, do proibido e do imoral em contraponto à uma visão supostamente ascética, equilibrada e permitida, uma visão que é indicada aos telespectadores , independentemente da religião, como uma forma “redentora” da prática sexual em contraponto ao espaço da perversão, da perdição e do demônio, representado por nossa prática.

Se isso não causa surpresa e é ponto pacífico, a questão que resta é do porquê de algumas pessoas ditas “do meio” concordarem em jogar o jogo proposto pelos fiéis escudeiros da IURD. Mais uma questão, ao meu ver derivada dessa: a confusão que temos em explicar para nós mesmos no que consistem as concepções, limites, pressupostos, limites éticos e outras questões correlatas não ensejaria uma grande confusão e que, no sentido negativo do termo, permita que qualquer um (até nós mesmos) façamos do BDSM um grande “saco de gatos”onde cabe tudo, em qualquer intensidade, de qualquer forma e com qualquer intencionalidade. Longe de propor um controle purista da prática, o que advogo é que façamos uma reflexão e deixemos claro se há um consenso (ou não), relativamente passível de ser costurado (ou não) a ponto de podermos indicar quais são as linhas mestras de entendimento, sem restrição às manifestações.

Outro fator que inclusive levou-me a repensar minha permanência ou não no meio, reflexão ainda não concluída, é a necessidade imperiosa de termos um olhar “para dentro” e verificar com honestidade e isenção se os nosso fundamentos encontram de fato respaldo na realidade, sejam eles expressos sobre os rótulos SSC, RACK, SSS ou o que for.

Será , de verdade, que o que foi expresso no programa não poderá, em algum momento e em alguma forma, ser considerado, de fato, BDSM? Essa é uma questão que não poderei responder mas que demanda alguma reflexão.

Mesmo que não seja a minha ou sua prática, caro leitor, definitivamente, em algum momento, o que foi exibido tem alguma relação clara ou tênue com o que estatuímos (ao menos em nossas concepções particulares) como sendo nossa prática, há mudanças de entendimento muito importantes em relação ao manifesto de repúdio proposto pela profane malign_{AN} e que muitos de nós,inclusive eu, assinamos. Ele represente, ao menos para mim, um repúdio em relação à um forte conteúdo ideológico, fator que analisaremos no próximo artigo.

(continua)

“As únicas liberdades às quais os seres humanos são sensíveis são aquelas que jogam ‘o outro’ numa servidão equivalente. E, aliás, como se sabe, uma paixão incondicional pela liberdade certamente provocará no mundo, e bem depressa, conflitos e guerras não menos incondicionais.” Jean Paulhan Agora, transportemos o pensamento acima para um relacionamento a dois e a mistura é completamente explosiva. Coação erótica “A força não faz parte do contexto do sadismo ou do masoquismo, nem faz parte do fetichismo, da dominação ou da submissão. Mas é uma atividade normal e corriqueira. Faz parte do dia-a-dia das pessoas. A força é parte da relação de poder, mas no BDSM o poder não é tomado, é concedido. E não há sequer um adepto do BDSM que não se sinta, de alguma forma, fascinado por esta relação.” (Delmonica). A atitude de segurar ou restringir o(a) parceiro(a) durante o sexo é tão velha quanto o mundo. Um número incalculável de espécies segura ou imobiliza o(a) parceiro(a) durante o ato sexual. Escorpiões, aranhas, leões e alguns macacos têm um complexo jogo de imobilização e sujeição erótica durante o acasalamento. Mas não podemos assumir que estes animais têm atividades BDSM. Este é um jogo elaborado e executado exclusivamente pelos humanos. Um aspecto aparentemente contraditório do BDSM é a coerção erótica. O(a) submisso(a) que deseja viver uma relação BD, em seu sentido de escravidão e disciplina, aceita e, portanto, torna consensual, a condição de ‘escravo’. Leve-se em consideração que para atingir esse ponto, a relação, o conhecimento mútuo, o entrosamento e a maturidade entre os parceiros deve estar em um patamar elevado. Ou seja, tornar-se BD requer tempo. Pois só o tempo trará o conhecimento (associado ao autoconhecimento), e só o conhecimento levará, neste caso, à consensualidade específica do BD. Explico melhor: quando o desejo de possuir ou ser possuído vem à tona na relação é preciso que fique claro que a consensualidade aqui assume um caráter definitivo. O(a) ‘escravo(a)’ é uma propriedade, portanto faço com ele o que quero, pois ele aceitou a condição de ser possuído, de ser meu. Por outro lado, assumo um voto extremo de confiança que me foi dado (porque sabe que o conheço, porque tem confiança em minha experiência, em minha técnica, em minha habilidade para conduzi-lo em um mergulho de confronto consigo mesmo). Confia em minha habilidade de conduzi-lo de maneira sadia em momentos em que emergem possíveis carências ou problemas com a auto-estima; confia em minha sensibilidade para quebrar suas barreiras e no meu potencial para cuidar do que é meu. Explico estes detalhes pois sempre pensamos no ‘escravo’ sendo forçado ou obrigado a uma atividade contrária ao seu desejo, e por fazer sob força, ou recusar-se a obedecer, é castigado. Coação erótica é baseada em consentimento mútuo. Mas, como disse, uma consensualidade definitiva, explícita no momento em que se aceita a condição de ‘escravo’ e ‘dono’, e implícita a partir daí. Onde o que valerá será o conhecimento que um tem do outro, dos desejos, dos limites e do respeito entre parceiros. Aí temos um paradoxo. Se é baseada em consentimento mútuo, como acreditar que alguém está obrigando alguém a fazer algo “forçado”? A resposta é que a fantasia é um dos ingredientes mais importantes para o BD, e o(a) dominador(a) sensível tem a responsabilidade de tornar a cena o mais real possível. Já o ‘escravo’ deve corresponder de maneira comprometida com o jogo, pois mesmo numa posição de submissão ele é fator atuante, e deve ter consciência disto para manter o clima do jogo. Cabe ao dominador controlar e modificar a grande quantidade de variáveis que existem no complexo jogo da dominação e posse. O inusitado, o surpreendente, o erótico, o temor, são variáveis básicas que o(a) submisso(a), em contrapartida, deve ter a habilidade de deixar que tomem conta de sua mente, bem como a fantasia de acreditar na situação proposta pelo dominador. A coação erótica é uma forma singular de atingir profundamente os mecanismos de prazer do ser humano. E, por ser profunda, precisamos estar atentos às reações do escravo, pois seus sentimentos e suas dificuldades devem ser respeitados. Estar BD ou ser BD? Não encontramos, freqüentemente, em comunidades BDSM, grupos que vivam situações de BD no sentido literal da palavra: bondage como escravidão e disciplina). Encontramos, sim, práticas de BD em festas ou rituais. Ou seja, ninguém é BD; pessoas podem estar em situações de BD por determinados períodos de tempo. O que já não acontece no DS (Dominação e Submissão). Pode-se ser DS 24 horas por dia e pode-se estar em situações de DS. No mundo atual, optar por viver uma situação em que devemos nos portar e agir como escravos 24 horas por dia é irreal. Até porque para um dominador conhecer cada vez mais e melhor seu ‘escravo’ ele precisa dos momentos onde não se está BD, para concatenar as fantasias, saber do outro, ter o feedback do que o outro busca, o ajuste. Este ajuste é contínuo, para que a quebra de barreira, que é um dos ingredientes constantes no BD, assim como a coação, possam acontecer de uma maneira segura, para que ambos tenham sempre novos elementos para serem trabalhados, conversados, para o próximo momento em que se ‘estará’ BD. Podemos estabelecer cenas ou períodos de tempo determinados em que situações de escravidão podem ser aplicadas: um fim de semana, um dia, uma cena em uma Play Party. Mas não uma situação de escravidão permanente. Até porque dentro da cultura SM, o Bondage está quase sempre associado à disciplina. Onde o prazer de castigar para corrigir é mútuo. De quem imputa e de quem recebe o castigo. Popularmente, Bondage está associado com restrição de movimentos, com o uso de cordas, algemas e uma infinidade de aparatos que visam a imobilização do(a) submisso(a). E, através da imobilização, pode-se aplicar castigos e medidas de disciplina. Tolher movimentos desde os mais remotos tempos de nossa civilização representa uma imposição da vontade do senhor para com o submisso. Era assim nas galés romanas, onde remadores eram escravos presos aos remos; depois, na Idade Média, com os escravos africanos e a desumanidade dos navios negreiros e o trabalho forçado tanto na Europa como no novo mundo. Disciplina Na comunidade BDSM a disciplina e os castigos advindos como corretivos pelas faltas são os objetivos de muitos dominadores e submissos. Os dominadores disciplinam para treinarem seus escravos e vivenciarem o que lhes dá prazer (dominar), e estes para agradarem seus donos e, de uma maneira simplista, vivenciarem situações que lhes causem prazer. O ato de se colocar um submisso em seu colo e aplicar palmadas nas nádegas como forma de disciplina (aliás, a mais básica e antiga) , atravessa pelo menos 3 aspectos importantes dentro do BDSM, passa pelo BD, onde se está aplicando um castigo para corrigir uma falta, passa pelo DS no dipolo do dominador(a) – submisso(a) e passa pelo SM no ato físico de provocar a dor pelas palmadas. Dissociá-los? Não há como. Podemos intuir, então, que não existe BD exclusivamente. Mas, sim, que BD está contido dentro da filosofia do DS e do SM, onde BD é meio, e não fim. Meio de se atingir propósitos ou fronteiras. Meio de humilhação. “Poucos são os dominadores que não sonharam possuir um personagem Sadeano como Justine. Mas nenhum(a) submisso(a), que eu saiba, desejou ser Justine. Não em voz alta, com esta altivez do gemido e das lágrimas, com esta violência conquistadora, com esta avidez pelo sofrimento e com esta vontade feita de uma tensão que leva ao dilaceramento e à desintegração.” Porque aí estaríamos falando de ficção, o que, certamente, terminaria em patologias e, portanto, em uma realidade contrária à filosofia do BDSM, que é o erotismo saudável e a realização de fantasias com segurança. Realidade x ficção Dentro da literatura de Sade temos a vítima, não o escravo ou o submisso. E, a partir do momento que a vítima se identifica, tem prazer, aprecia (como em Filosofia na Alcova, a personagem Eugénie), passa para o grupo dos libertinos e começa a ser iniciada na filosofia. A virgem Eugénie, em sua ansiedade, fala à Senhora de Saint-Ange: “Oh, minha boa amiga, achei que jamais chegaria, tanta a pressa de estar em seus braços…”. Eugénie ficará apenas dois dias com a Senhora de Saint-Ange, e esta acha o tempo curto, ao que Eugénie replica: “Ah, se não souber de tudo ficarei… Vim aqui para instruir-me e só irei embora quando for sábia”. Um dos maiores perigos dentro do BD é um(a) dominador(a) ou submisso(a) novato ler a famosa “História de O”, de Dominique Aury, e acreditar que aquela situação irreal e inverossímil deve ser o seu modelo de dominação ou que todos os dominadores serão Sir Stephens e todas as submissas serão “O’s” ou Justines de Sade. “Leio a história de O como se fosse um conto de fadas (todos sabem que os contos de fadas são os romances eróticos das crianças), como nesses castelos que parecem completamente abandonados, mas onde, entretanto, as poltronas com seus couros, os tamboretes e os leitos de colunas não têm um grão de poeira e onde já encontramos as chibatas e os chicotes; eles aí estão, como se estar aí fosse próprio de sua natureza. Não há suspeita de ferrugem nas correntes, nem de umidade nos azulejos de todas as cores.” Jean Paulhan Estas cenas são irreais. Não existem no dia-a-dia dos envolvidos com o BDSM. Relacionamento? A sinergia do relacionamento, qualquer que seja ele, faz com que limites, anseios, frustrações e desejos devam ser conversados, expressos e explicitados. Ninguém tem uma “bola de cristal” para adivinhar o que se passa na cabeça do parceiro. E ninguém põe a entrega ao outro acima de si próprio. Para dominar, exercer ou elaborar uma cena de punição, assim como para ser punido ou participar de uma cena de escravidão e disciplina, deve existir segurança, consensualidade e sanidade. Não deixa de haver grandeza e, inclusive, alegria em abandonar-se à vontade de um outro (como acontece com os apaixonados e os místicos) e em ver-se, enfim!, aliviado de seus prazeres, interesses e complexos pessoais. Alguém pode então lembrar-se de masoquismo. Seja, não é mais que acrescentar ao verdadeiro mistério um mistério falso, de linguagem. Que quer dizer “masoquismo”? Que a dor é ao mesmo tempo prazer, e o sofrimento, alegria? Pode ser. Dizem os masoquistas, trata-se realmente de uma dor, mas que estes sabem “transformar” em prazer; trata-se de um sofrimento do qual se desprende, por alguma química cujo segredo eles possuem, uma pura alegria. Termino este texto de Bondage & Disciplina me apropriando do trecho de um conhecido, se não for “o mais conhecido” livro sobre BD, “A história de O”: “Uma singular revolta ensangüentou, no correr do ano de mil oitocentos e trinta e oito, a tranqüila ilha de Barbados. Cerca de duzentos negros, tanto homens como mulheres e todos recentemente promovidos à liberdade pelos Decretos de março, vieram uma manhã pedir ao seu antigo senhor, um certo Glenelg, que os retomasse como escravos. Foi feita a leitura do caderno de queixas, redigido por um pastor batista que os acompanhava. Em seguida, engajou-se a discussão. Mas Glenelg, fosse por timidez, por escrúpulos ou simplesmente por medo das leis, recusou-se a se deixar convencer. Por isso, a princípio foi gentilmente empurrado, e depois massacrado com toda a sua família pelos negros que nesta mesma noite voltaram às suas cabanas, às suas tagarelices e aos seus trabalhos e rituais de costume. O caso pôde ser rapidamente abafado graças às diligências do Governador Mac Gregor, e a Libertação seguiu seu curso. Quanto ao caderno de queixas, nunca mais foi encontrado.” (Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/tops/tops02.htm)

Bem… Desde os primórdios o cão sempre acompanhou o homem e é, até hoje, considerado o servo fiel e o grande companheiro… Já existiram até aqueles cães que, por destacarem-se em qualquer que fosse a tarefa, teriam seus nomes no Hall da Fama… Beethovens, Belitas, Rim tin tins, Lassyes, Pricilas, Jfs e Gilmares (TV Colosso), a Poderosa Laika (sou fã dela!) – a cadelinha que foi ao espaço à bordo de uma sonda espacial – e, claro, a Smoke, uma cadela Basset usada pelo Exército americano como “espiã” (a pequena cadelinha levava mensagens a campos de batalha sem que o inimigo suspeitasse dela!). E, finalmente, meu Argos, um cocker de 9 meses… (coitado, era observado diretamente por mim e me ajudou tanto!…).

Fiz esta pequena explanação numa tentativa de poder sintetizar o que é ser uma dogwoman…. Agora, tento explicar como é esta prática e como é o lado psicológico de agir como uma cadela.
Segundo uma definição mais técnica, dogwoman é um jogo D/s que engloba artifícios de S/M. A(o) submissa(o) é tratada(o) como uma cadela(cão): usa coleira, bebe leite em vasilhas e até late. Prazeroso se feito com inteligência e uma dose de sarcasmo. Também é usado em jogos de humilhação. Esse jogo tem muitas variações e é bom conversar com seu(sua) Dom(me)/sub antes de executá-lo. É um jogo de forte apelo psicológico. O apelo é forte para quem não está acostumado a jogos que incidem em humilhação explícita/direta. O lado psicológico está diretamente ligado à humilhação e à prontidão para servir.
A melhor forma de você se adaptar a este jogo é estudando o comportamento de um cachorro (especificamente na fase na qual você quer se encontrar; por exemplo, sou uma cadela de 8 meses, quase entrando na fase adulta), estudar seus hábitos, reações e movimentos. O mais importante é tentá-los reproduzir com dedicação e muito treino, principalmente para subir e descer de determinados lugares e em algumas atitudes. O essencial também é encontrar uma raça e espelhar-se nela… Sou uma labrador desde o primeiro instante pelo meu porte físico e pela agilidade e por ele ser um cachorro dócil e fiel APENAS a um Dono.
O jogo em si consiste em um D/s onde você, a partir do momento que está submetida(o), passa a adquirir as características de uma cadela (ou de um cachorro), seus hábitos e a forma como um adestrador ou dono a(o) trataria. Entre as práticas mais comuns, eu destaco:

- Posicionamento: para andar (somente em 4 apoios), sentar (com as pernas abaixadas e os braços estendidos juntos), deitar (de lado, braços levemente cruzados e pernas sobrepostas), posição de descanso (aquela da esfinge, braços apoiados nos cotovelos, cabeça erguida e ajoelhada, corpo sobre os braços). Para subir em algum lugar: apóie os braços bem juntos e os cotovelos junto ao corpo no lugar que você vai subir, impulsione com as pernas juntas apoiadas nos pés (nas pontas) e apóie-se nos braços apenas. Para descer (apóie-se nas mãos e depois as pernas). O melhor é como eu disse: observar um cão real.

- Quando receber uma ordem, manter a cabeça em posição de atenção, voltada para o Dono, com a vista baixa SEMPRE (mesmo sendo cadela, você é sub).

- Repreensão: quando repreendido, normalmente o cachorro fica amuado e deve ir para a casinha. Combine com seu Dono um local onde possa ser “Tua Casinha” (eu tenho a minha) ou uma almofada… algo do gênero. E, após uma punição, permaneça com a cabeça baixa e o focinho (rosto) entre as mãos, na posição de espera.

- Jogos: Ir pegar a bolinha: esperar o Dono jogá-la e imediatamente ir buscá-la sobre 4 apoios e trazê-la. Procurar Objetos: faça de conta que está farejando enquanto procura algo, etc. Detalhe: quando pegar um objeto com a boca, atente para não colocá-lo demais nela ou não deixar cair. Chicotes, chibatas e coisas longas: tome cuidado ao atravessar portas, porque pode enroscar nos batentes ou você apoiar sobre tiras soltas. Coisas pequenas, como bolinhas, deixe aparecendo sempre, não engula!

- Comer numa terrina: Bem, a princípio torna-se complexo pelo fator psicológico, pela exposição que você passa… Não é todo mundo que se adapta, mas é muito legal a partir do momento que você o pratica. Tente apanhar os alimentos com a boca apenas e sem apoiar o queixo ou deixar escorregar. O ideal é só usar a boca, mas, se precisar, pode se tombar a terrina (de leve) com a mão, como um cachorro faria, batendo a pata. Outra coisa é beber água ou outro líquido (já tive que beber guaraná e foi uma festa, pois as bolinhas de gás param no queixo e ardem um pouco): use APENAS a língua, sem sugar com os lábios; você, devagar e com treino, começa a usar apenas a língua… Para treino, pegue um tupperware com água e apenas lamba a água lentamente… Ou ponha um cubo de gelo e tente pegá-lo com a língua apenas…

- Saltar: Os cães geralmente apóiam-se nas patas traseiras e com elas impulsionam o corpo para frente. Do mesmo modo, apóie-se nas pontas dos pés, encolha suas pernas e com os braços junto ao corpo e flexionados vá lentamente se esticando até dar um impulso (LEVE) e ir para o outro lugar. Detalhe: veja antes se o local é bem firme e que você possa ter onde e como apoiar-se. NUNCA use banquinhos soltos ou cadeiras sem apoio e JAMAIS cadeiras ou móveis de rodinhas (a experiência não deve ser nada boa…) Para começar é legal pôr em frente a um sofá ou cama uma mesinha ou poltrona larga.

- Após o banho: Se teu Dono resolver te dar um “banho” de cadela, mantenha-se de quatro e deixe-o lavar-te e enxugar, afinal cachorros não se enxugam. MAS é fundamental ao menos uma vez dar aquela “chacoalhada” de leve para não ficar excesso de água… Mas, cuidado para não fazer molhadeira!

Fora estas práticas, existem coisas do tipo subir e descer duma cama, pular de um lugar para o outro, que requer treino. Concentração é TUDO no Dogwoman. VOCÊ tem que estar sempre atenta a ordens, pedidos e principalmente estar preparada SEMPRE para qualquer solicitação.
Não dá para prever e escrever tudo por que vai depender do que teu(tua) Dono/Dona vai solicitar… E varia muito do tipo de relação e exposição que você tem em relação a teus limites. Têm Donos que até fazem a gente urinar como uma cadelinha no box do banheiro e têm outros que gostam de nos levar passear.

LEMBRETE: a força de quem pratica o jogo dogwoman concentra-se nos pulsos e tornozelos. Se seus pulsos são mais fracos sugiro o uso de munhequeiras para evitar lesões como, por exemplo, para descer da cama (vc põe todo peso sobre eles). Pelo menos para treino eu uso…

Importante: Os objetos mais comuns à cena são: coleira, terrina, ossinhos de couro sintético, a casinha, guias, etc. As regras de higiene para outros objetos valem aqui também (somos cadelinhas e não porquinhas!!!). Como os ossinhos e bolinhas ficam direto no chão, o ideal é a prática num lugar asseado e lavar a bolinha SEMPRE e os brinquedos em água corrente com sabão neutro. Ossinhos de couro sintético (aqueles que imitam ossos reais) o ideal é colocar magicpack para não ficar com gosto de “couro” na boca. A terrina também não pode ficar com água parada por váriosdias porque pode juntar bactérias e limbo e o gosto da água fica desagradável.

Prefiro as guias de adestramento (mais curtas), pois o contato é direto. Conselho: coleiras, sempre aquelas de couro e não muito apertadas (a menos que você curta asfixia). As coleiras mais bonitinhas devem ser encapadas por dentro, pois geralmente são feitas de veludo ou de feltro e, quando você transpira, pode sair a ‘tinta’. As de nylon machucam se muito apertadas, mas são as melhores visualmente. Procure NUNCA exagerar!!! Se, na primeira vez, você não conseguir fazer algum truque, treine mais, mas não force a “barra” logo de cara, querendo saltar objetos… Cuidado sempre!

(Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/fetiches/fetiches04.htm)

Material

Pregadores de roupa de madeira
Lixa para madeira
Tinta guache preta
Tiras de couro preto
Cola de contato
Verniz transparente

Execução

1. Lixe bem todas as peças de madeira até que fiquem bem lisas.
2. Retire todo o pó.
3. Dilua a tinta guache em um pouco de água e passe por toda a peça, por dentro e por fora. (Prefiro a tinta guache que a tinta óleo por ser lavável e, portanto mais fácil de limpar. Além disso, se você quiser desenhar ou escrever alguma coisa por cima em outra cor é possível)
4. Espere secar. A secagem da tinta guache é rápida.
5. Se quiser, faça desenhos com um pincel bem fino em outra cor, vermelho, por exemplo. Você pode colocar sua marca, alguma sigla, o que der na telha. Pode bordar a volta com tinta ouro, vai da sua imaginação. Mas lembre-se de ter sempre a mão um cotonete para limpar qualquer erro. Se você for cobrir o pregador com couro, faça o desenho nas laterais.
6. Após a secagem, aplique verniz por toda a peça.
7. Recorte tiras de couro do tamanho exato da parte da frente do pregador (a que você pega para abrí-lo).
8. Passe cola de contato no pregador, no couro e espere alguns minutos.
9. Quando a cola estiver “pegando” junte com cuidado.

Variações

* Se quiser o pregador com mais pressão, coloque pequenos quadrados de couro no interior das pontas.
* Com um alicate de bijuterias, prenda uma corrente na parte de arame, unindo dois pregadores.
* Faça um furo em uma das partes superiores do pregador e coloque uma argola com o alicate de bijuteria para colocação de pesos.
Taí. Fácil, barato e bonito…

(Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/facavc/faca06.htm)

Etimologia

Durante a época das Grandes Navegações, quando das incursões continentais na África por parte dos europeus, exploradores portugueses entraram em contato com uma prática dividida por diversas tribos: muitos dos africanos atribuíam uma força espiritual a certos totens, feitos a partir dos mais variados materiais, tais como ossos (animais ou humanos), ou gravuras em relevo. Esses objetos foram definidos como fetiches, palavra oriunda do português medieval utilizada para descrever certos objetos sagrados cristãos que cobriam o mesmo nicho cultural.
A partir de então, chama-se fetiche todo objeto ao qual é creditada uma força sobrenatural ou se presta culto: desde totens religiosos, passando pelas “relíquias” cristãs medievais, até itens que recebem, da superstição popular, certo valor fortuito, tais como a pata de coelho ou o trevo de quatro folhas.
Nos primórdios do estudo sobre a psicologia humana, em meados do século XIX, as primeiras mentes interessadas em estudar a sexualidade usaram o termo fetiche para descrever um interesse erótico/sexual latente em um objeto ou numa classe de objetos. A relação é que, da mesma forma que religiosos extraem força espiritual de algo inanimado, os fetichistas sexuais extraem seu prazer erótico de maneira similar.

Definição

Alfred Binet foi o primeiro a dar uma definição de fetichismo, descrevendo-o como o amor por determinadas partes do corpo. Em seu livro Psicologia Experimental, ele definiu o amor como “uma série de fetichismos complexos e interligados”. Porém, segundo o pensamento psicológico moderno, o fetichismo é conceituado da seguinte forma:
“Tendência erótica para objetos inanimados que, direta ou indiretamente, estão em contato com o corpo humano ou para determinadas partes do corpo da pessoa amada.”
Assim sendo, existem inúmeras possibilidades para o fetiche. Existem fetiches por pés, botas, roupas de couro, piercings e até bexigas de festas de aniversário. A conclusão óbvia é que todos são fetichistas, em maior ou menor grau. O fetichismo não é considerado um desvio quando o indivíduo não depende exclusivamente de seu fetiche para sua gratificação sexual.

Origens do fetichismo na psicologia humana

Existem poucas teorias baseadas em fatos a respeito do fetichismo, mas muitas assertivas. A mais difundida e aceita entre os estudiosos é a versão que reza que o fetiche tem origem na infância do indivíduo, originado por um sentimento de culpa intensa. O mecanismo postulado prega que, ao entrar em contato visual involuntário com a genitália de alguém, a criança irá desviar o olhar, movida por sensações de culpa e embaraço; e, ao se comportar assim, fará entrar em seu campo de visão algum outro objeto, sobre o qual projetará seu desejo erótico. Como conseqüência, anos mais tarde estará impossibilitada de sentir desejo pelos órgãos genitais sem ter sensações de culpa e embaraço, reminiscências do ocorrido na infância.
Dessa forma, segundo tal assertiva, uma criança que abaixe o olhar quando surpreende seu pai saindo nu do banho, deitando os olhos em seus próprios pés, irá se tornar um podólatra.
Freud acreditava que o fetichismo é causado por um “complexo de castração”, descrito como uma sensação inconsciente da parte do homem, onde este sente falta do pênis na mulher. Essa sensação de ausência faz o homem buscar “completar” a mulher com o auxílio de artefatos extras.
Mais uma assertiva tenta explicar o fetichismo como apego especial a determinado objeto; tal apego teria sido originado na infância, provocado pela ausência da mãe. O fetichista buscaria o afeto materno neste objeto e, ao crescer, manteria uma fixação neste objeto, agora com traços eróticos incutidos nele.
Nenhuma das assertivas acima citadas possui o devido embasamento para constituírem teorias cientificamente válidas. Algumas pesquisas da área de neurologia, porém, pretendem verificar a relação entre o comportamento fetichista e o estímulo químico de certas áreas do centro de prazer do cérebro. Tal estudo será essencial para elucidar várias pendências com relação ao comportamento fetichista.

Fetichistas não são pessoas doentes

O fetichismo, como toda forma de manifestação sexual diferenciada daquela socialmente aceitável, é alvo de preconceitos. Embora seja seguro dizer que, praticamente, todo mundo possui um fetiche, manifestações mais abertas de fetichismo são vistas com temor e repúdio. Uma das mais cruéis discriminações com relação aos fetichistas é afirmação que eles são doentes. Não há, porém, nenhuma base para que qualquer tipo de fetichismo seja declarado uma doença ou parafilia. Evidentemente, quando o fetichismo alcança um ponto tal que o indivíduo passa a exibir um comportamento obsessivo em relação ao seu objeto de desejo, o fetichismo deixa de ser saudável. No entanto, o comportamento obsessivo não é exclusividade de pessoas fetichistas; portanto, discriminar estas pelos seus fetiches é algo assaz ilógico.

Conclusão

O fetiche sempre esteve presente tanto na psique quanto na sociedade humana. Nas últimas décadas, foram dados os primeiros passos para a compreensão dos mecanismos psicológicos por trás do fetichismo. Embora ainda não se possa precisar sua origem, já se reconhece a sua existência. Com o advento da Internet, comunidades de fetichistas tornam-se gradativamente mais fortes e mais freqüentes. Atualmente, os meios de comunicação já usam extensivamente apelos fetichistas em anúncios publicitários. É apenas uma questão de tempo para que a sociedade reconheça seu inegável lado fetichista pelo que ele realmente é: uma faceta normal e saudável da sexualidade humana, sem falsos moralismos ou justificativas pseudocientíficas.

Bibliografia

- Rodrigues Jr., O. M., Objetos do Desejo, Ed. Iglu, 1991.
- Silva, V. A., Nossos Desvios Sexuais, Ed. Tecnoprint S.A., 1986.

Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/fetiches/fetiches02.htm

“Dos infinitos desejos do homem,
os principais são os desejos de poder
e de glória.”
Bertrand Russell

Em sua definição sobre poder, J.K.Galbraith, diz : “O poder – a habilidade de um indivíduo ou de um grupo conseguir a submissão de outros a seu propósito.”
O exercício da Dominação requer, antes de mais nada, competência. Esta competência manifesta-se na forma pela qual o Dominador submete sua escrava a seus propósitos.
Tal habilidade é necessária, posto que uma relação D/s requer percepção e sensibilidade, sem as quais pode se incorrer em graves distúrbios psicológicos, que afetarão a ambos : Dominador e submissa.
E, entre ambos, deve existir total confiança. A submissa manifesta sua entrega de forma plena somente quando existe total confiança na relação.
E confiança é algo que se adquire, que se conquista.
Percebendo a essência de sua submissa (isso só será possível através de muita sensibilidade), compete (daí a necessidade de muita vivência e prática de vida) ao Dominador conduzir a relação, potencializando toda oportunidade de prazer.
Ao conduzir o processo, o Dominador elimina todas as barreiras existentes. De forma hábil, sutil. Ele invade. Estende este momento, posto que, o prazer provocado pela tomada de posse é indescritível. Momento elaborado. Pleno em detalhes. A submissa, muitas vezes sem dar-se conta, se posta, reverencia e se entrega. Nem sempre admite que esta sendo tomada.
A responsabilidade. a partir desse momento. é imensa. O Dominador, com as mãos nas entranhas de sua submissa, serve-se do prazer na forma que mais lhe convém. Poucos têm a ousadia de tornar o jogo ainda mais fascinante. Instruindo sua submissa, o Dominador permitirá que momentos ainda mais intensos sejam vividos. Cada vez mais a submissa lança-se em um pulo no escuro, sabedora que braços fortes a amparam. Mais uma vez a competência se faz presente.
Cada qual estabelece a melhor relação para si. Mas é inegável que a relação não permite manifestações de dúvidas, fraquezas e, acima de tudo, incompetência.
Prazer é algo singular.
Saber potencializá-lo é uma arte.
(Fonte: http://www.desejosecreto.com.br/tops/tops03.htm)
Percebo que muitas pessoas acessam os blogs no sentido de aprender mais sobre técnicas e ter idéias o mais prazerosas possíveis para realização de suas sessões. No entanto, existem algums reflexões absolutamente necessárias para o exercício pleno e o prazer máximo dessas relações; outras, tratam de questões de segurança, elementos que nos preparam para tomar as providências para que nada de desfavorável aconteça e , por fim, aquelas que tratam de elementos conceituais que em minha visão “ditam” as linhas mestras para que possamos nos posicionar dentro do que preceitua o BDSM e verificar se ele nos expressa enquanto uma vertente erótica e de vida.
Muitas vezes, esses textos carregam conceitos densos e de leitura difícil e espero que não seja o caso desse artigo acerca de algo que nos é (ou deveria ser) de interesse, tanto no pensamento como na acão: o consenso. Por mais que possamos pensar ser essa uma questão pacífica (consensual????) , logo constataremos não ser. Mais do que pretender ser um artigo que põe um ponto final na questáo, esse texto é um caminho para entender-se onde a grande polêmica surgiu.
A “VELHA” ESCRAVIDÃO E A “NOVA”
Talvez convenha lembrar que algumas coisas que nos são tão caras e que consistem em nossas grandes marcas, motivos de orgulho entre Dominantes (citados aqui como elementos únicos de determinação) não nos pertencem, remontando à séculos de práticas e conceitos que acabaram por formar a parte do imaginário de toda uma sociedade.
Não podemos ler nas páginas de escrituras históricas e religiosas, centenas de menções a açoitamentos, flagelações e congêneres? Quem tendo lido crônicas da era vitoriana, apesar de toda a sua pretensa castidade social, não se perguntará como poderia haver um elenco tão grande de castigos corporais na escola e e em outras instiuições, inspirando nosso spanking? Como não relacionar nosso jargão “básico” (escrava, escravo, Senhor , Senhora…) com práticas de subjulgamento involuntário que perpassaram a história da humanidade e causaram como causam uma imensa repulsa em vários segmentos? Impossível.
Parece-me óbvio que uma nova modalidade de submissão merece um novo estatuto, colocando a vonluntariedade como um elemento central, uma diretriz que nos faria (e faz) poder distinguir com clareza o valor das palavras Senhor(a), escravo(a) e as práticas imemoriais que mencionamos acima, não mais na antiga simbologia da servidão mas de outra que é entregue, perpassa a função sexual e , em casos de Transferência Total de Poder (Total Power Exchange – TPE), a totalidade da vida do submisso(a).
Obviamente a voluntariedade pode impor , e de fato o faz, limitações ao pleno poder, uma vez que acredito ser óbvio imaginar-se que ninguém em sã consciência predisponha-se a submeter-se à condutas e práticas que firam seus princípios e sanidade física e mental.
Portanto, além de voluntária, a submissão que se concede deve partir de balizamentos, inclusive éticos, que delimitem uma série de vadações/restrições que , em tese, garantam os pressupostos de sanidade e segurança expressos anteriormente, mutuamente acordados entre o Dominante e o submisso. Ao acordo estabelecido nessas bases de mútua concordância, chegou-se à elaboração do conceito de CONSENSUALIDADE. Essa elaboração teórica surge das listas de discussão nos EUA, consubstanciada na  famosa tríade Sane, Safe and Consensual (São , Seguro e Consensual), o nosso famoso SSC.

CONSTRUINDO A CONSENSUALIDADE

Muitos conceitos são tão utilizados que acabam por perder seu significado mais profundo, sua real concepção. O termo “consensual”, na ótica BDSM, foi um dos termos com os quais ocorreu essa perda. Para uma visão comum do termo, recorramos ao dicionário no nosso caso, o Aulete Digital:

(con.sen.so)

sm.
1  Concordância de idéias, de opiniões
2  Senso comum: De acordo com o consenso popular, trabalhar demais cansa.
3  Aprovação, consentimento: Esperava o consenso do chefe ao seu pedido.

[F.: Do lat. consensus,us.]

Consenso das gentes
1   Rel.  Fato de haver crença na divindade nas diversas religiões dos povos, considerado como prova consensual da existência de Deus.

Consenso mútuo
1  Acordo ou consentimento pleno de todas as partes envolvidas em um negócio, contrato etc., e que é condição para que estes sejam realizados ou desfeitos; consentimento mútuo, mútuo consenso

Mútuo consenso
1  O mesmo que consenso mútuo

“Negritei” a parte da definição que acredito ser muito adequada ao nosso caso. Desde que Wanda exigiu de Severin um contrato que lhe prendia à Domme, é usual em nosso meio um contrato, formal ou não, que determina algumas obrigações e algumas normas de conduta.  Está convencionado, portanto, as obrigações do submisso e os limites do Dominante. Limites do Dominante? É aqui que começam os problemas.

CONSENSO: A ARTE DA NEGOCIAÇÃO VERSUS O PODER ILIMITADO

Consenso não é feito por qualquer tipo de imposição e é bom que se deixe claro esse fato. O que é imposto não é pode ser base da ação consensual. Dessa maneira, quando dizemos que há um consenso dentro de uma relação BDSM, deveríamos estar dizendo que , livremente, as partes concordaram em balizar o relacionamento da forma que está documentado.

Sem considerar certo ou errado, não é a questão de julgar, essa concepção implica, como já dizemos, em limites ao Dominante. Opa! Como assim? O Dono(a) não é um plenipotenciário? Se nos atermos à rigidez do vocábulo “consenso”, não.

Para chegar ao acordo, tanto submisso como Dominante definiram marcos, cederam, concordaram de maneira livre e chegaram à uma concepção do relacionamento que queriam. Será que é isso que muitos Dominantes pensaram em viver quando vieram para o BDSM? Com certeza, não.

Isso não quer dizer que o SSC e o próprio consenso esteja ferido de morte, de forma alguma. No entanto, para aqueles que não comungam dessa aceitação da limitação da ação da ação do Dominante, o que fazer?  E de outra parte, como o submisso(a) pode sentir-se minimamente confiante de que terá sua integridade respeitada? Mesmo sendo essa garantia apenas algo “teórico” , melhor isso do que nada.

Há alternativa? Acredito que sim.

AS  QUESTÕES GERAIS DA REGULAÇÃO

Todos nós experimentamos em nossas vidas diárias, o resultado do contato com a diversidade de pessoas: com algumas nos afinamos, com outras não; com algumas, estabelecemos relacionamentos variados e intensos, com outras, convivemos em ambientes determinados e em momentos específicos, convivendo harmoniosamente; com algumas pessoas, podemos fazer acordos, com outras, não e por aí vai. As relações BDSM compartilham da diversidade de tipos humanos mas devem contemplar princípios básicos que devem servir de baliza à quem se propõe a vivê-lo.

Nesse aspecto, nenhuma corrente de regulação das relações SM discorda que suas práticas devem ser livres, sãs e seguras. Concordo com a “objeção” que via de regra se faz quanto á questão do que é sanidade já que essa questão importa em peculiaridades orgânicas e psicológicas que, certamente, são particulares de cada indivíduo. Acredito que como princípio geral, essa colocação é perfeita.

Como já tive oportunidade de afirmar em artigo sobre SSC, RACK e SSS (para ler, clique aqui), é de RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA do Dominante, fazer uso das ferramentas que julgar necessárias (questionários, exames clínicos e etc) para ter clareza, de forma inequívoca, dos problemas físicos e psicológicos que o(a) submisso(a) esteja passando ou tenha passado, com vista adotar-se as condutas necessárias para a preservação da sanidade em amplo espectro daquele(a) que nos serve.

Também será de RESPONSABILIDADE EXCLUSIVA do Dominante, acercar-se de conhecimentos práticos e teóricos sobre o que pretende executar em suas sessões, disponibilizando sempre os recursos necessários para caso de problemas e tendo consciência absoluta de que em suas mãos está depoisitada a sanidade do seu(sua) submisso(a), algo qe deve ser de fundamental importância para quem realmente preza quem o serve.

Outro aspecto muito importante que deveria estar no coração e na mente de qualquer Dominante, é sua relação com o(a) escravo(a). Não importa o que sua fantasia e Dele(a) comporte, se esses princípios forem observados, podemos ter tudo para que aconteça uma relação prazerosa e intensa.

Observados esses aspectos, podemos considerar a questão da superação do consenso em direção ao sensualismo.

SÃO, SEGURO E SENSUAL

A definição proposta não é minha mas de Klaus, conforme explicado no mencionado artigo sobre SSC, Rack e SSS. No entanto, a sua aplicação deve ter bases rígidas nos pressupostos que enlencamos nos paragrafos imediantamente acima.  A fronteira entre nossas fantasias, especialmente as sadomasoquistas , e a violência é muito estreito e não precisamos de muito para fluir de um lado para o “outro” e por isso é fundamental a vigilância.

O Sensual do SSS tem uma visão de prazer mútuo sem deixar de reconhecer e colocar em evidência a preponderância da vontade do Dono(a) sobre o submisso(a). A vontade do Dono(a) não é limitada, ao contrário, é um querer vigilante e atento, é um querer que sabe e que define, com precisão e responsabilidade aquilo que irá se fazer.

Exige do submisso(a) o que ele pode dar e dita estratégias claras para superação dos limites, para a experimentação e para que se tragam, ao contexto da relação, elementos que dêem um caráter sempre renovado á relação. Fundamentalmente, é uma proposta que encontra respaldo em Donos(as) amdurecidos(as) e consciente de suas funções e do que os guia. Não transfere, nem por concordância e nem por imposição, ao submisso o ônus das decisões sobre a adequação das práticas e dos limites mas traz para a mão do Dominante o completo controle da vida do submisso(a).

Portanto, acredito estar derrubada a principal questão levantada para objetar quanto aos marcos regulatórios sem se descambar para o falsa divisão de tarefas que algums propostas trazem e reclama, gosto de ressaltar tal fato, do Dominante uma ação responsável e consciente.

Ao submisso(a) cabe selecionar bem o(a) Dono(a) a quem deve servir com dedicação e empenho infinitos. Uma boa observação acerca desse processo foi escrita por Mater Eso em seu artigo sobre seleção de subs (clique aqui para ler).

Novamente reitero que esse artigo é uma pálida contribuição que não pretendeu fechar questão sobre esse elemento. No entanto, como já dito, a principal função desse blog é fomentar o debate. As manisfestações de todos serão bem vindos, independentemente do papel que ocupem.

Saudações BDSM!

Comentário: Em minha opinião (autor do website), este é um importante marco literário da ficção S&M no século XX, por ter sido escrito por uma mulher, descrever um relacionamento consensual e por sintetizar grande parte do imáginário de fantasias ligadas ao SM. Descrito dentro de um contexto moderno, retirando-se o que não agrada à um ou outro, tem inspirado a realização possivel de fantasias num Relacionamento D/s (Dominação / Submissão). Com exceção do excessivo voyerismo do personagem René (pois me identifico mais com Sir Stephen), o livro me agradou bastante. Sobre o livro: Histoire d’O (English title: Story of O ) é um romance sadomasoquista escrito pela autora francesa Pauline Réage, cuja identidade foi revelada poucos anos antes de sua morte como sendo Anne Desclos (1907-1998), que também escreveu sob o pseudônimo de Dominique Aury. Publicado em 1954, é uma fantasia de submissão feminina sobre uma fotógrafa de moda parisiense que se submete às vontades de seu amante. É vendada, acorrentada, chicoteada, marcada, exposta publicamente usando uma máscara, e ensinada a estar constantemente disponivel para sexo oral, vaginal e anal. Em Fevereiro de 1955 ganhou o prémio frances Prix des Deux Magots, e isto não evitou que autoridades francesas acusassem a editora por obscenidade. As acusações foram rejeitadas pela corte, mas foi imposta uma proibição de publicidade e divulgação do livro for alguns anos. A primeira edição inglesa foi publicada em 1965. Eliot Fremont-Smith (do The New York Times) chamou a publicação de “evento significante”. Uma sequencia, “Retorno à Roissy” (também traduzida como “Retorno ao Chateau”), foi publicada em 1967. Uma das interpretações do romance pode ser vista como a extrema objetificação de uma mulher. A heorina do livro tem o mais curto nome possivel, consistindo somente da letra Ó. Embora esta seja a abreviatura de Odile, pode ser também “objeto” ou “orifício”, ou um Ó sendo a representação simbolica de qualquer orifício. O livro tem sido fonte de varios termos que são usados na cultura BDSM como SAMOIS, o nome da propriedade que pertence à personagem Anne-Marie, que marcou Ó. Um filme, A Estória de Ó, foi feito em 1975 dirigido por Just Jaeckin, estrelando Corinne Clery. (mesmo diretor de Barbarela, com Jane Fonda). O filme encontrou menos aplauso que o livro. Foi proibido no Reino Unido (U.K.) pelo Bureau Britânico de Censores de Filmes até Fevereiro de 2000. Um minisérie Brasileira, com dez episódios, estrelando Claudia Cepeda foi feita em 1992 dirigida por Eric Rochat, que foi o produtor do filme original de 1975. Quem é Pauline Réage? Pauline Réage (September 23, 1907 – April 27, 1998) pseudônimo de Anne Desclos, autora Francesa. Nascida como Anne Desclos em Rochefort-sur-Mer, Charente-Maritime, França, vinda de uma familia que falava Inglês e Frances, começou a ler em ambos as linguas muito cedo. Após completar estudos na Sorbonne, trabalhou com jornalista até 1946, quando juntou-se à Gallimard Editora como secretária de editorial para uma suas de suas marcas usando o pseudônimo de Dominique Aury. Ávida leitora de Literatura Inglesa e Norte-Americana, traduziu e introduziu na França renomados autores como Algernon Charles Swinburne, Evelyn Waugh, Virginia Woolf, T. S. Eliot, F. Scott Fitzgerald e numerosos outros. Tornou-se uma crítica altamente respeitada e foi membro de juri de varios importantes premios literários. Seu amante e empregador, Jean Paulhan, tinha feito um comentário chauvinista aludindo que nenhuma mulher seria capaz de escrever um romance erótico. Para provar o contrário ela escreveu um romance sadomasoquista com descrições explicítas de cenas de sexo, que foi publicado sob o pseudonimo de “Pauline Réage” in June of 1954. Intitulado Histoire d’O (Estória de Ó /The Story of O), provou a Paulhan estar errado e foi um grande, embora polémico, sucesso comercial. O livro causou muito especulação quanto à identidade da autora. Ninguém surpeitava que fosse uma mulher discreta e comportada, intelectual e quase púdica, Dominique Aury. Além do mais, o conteúdo explícito e detalhado do livro espalhou tanta polémica que em Março subsequente autoridades governamentais fizeram acusações de obscenidade contra a editora e a misteriosa autora que foram rejeitadas em corte em 1959. Entretanto o juiz proibiu a publicidade do livro e venda à menores de idade. Seguindo-se à suspensão da proibição de publicidade do livro em 1967, ela publicou a finalização da Estória de Ó / The Story of O sobe o título de “Retorno à Roissy” novamente usando o pseudonimo de Pauline Réage. Em 1957, ela deu uma entrevista com Régine Deforges, autora e editora, à respeito de livros eróticos, mas a autoria deles não foi revelada. Quarenta anos depois que o livro foi publicado, em uma entrevista à revista The New Yorker, Dominique Aury admitiu pela primeira vez publicamente que era a autora de Estória de Ó. Anne Desclos morreu em Corbeil-Essonnes, Île-de-France Trecho I – Selecionado do Livro Ó é levada nua, descalça, vendada e puxada pela coleira para uma cela medieval …Pierre (criado do castelo e encarregado do encarceramento de Ó) esperou que ela tomasse seu banho e que se maquilasse. E, quando Ó foi buscar seus chinelos e sua capa vermelha, interrompeu-a, e amarrando suas mãos às costas, mandou-a esperar um pouco. Ó sentou-se na beira da cama. …Quando voltou, Pierre trazia nas mãos a mesma venda com que tinham tapado seus olhos na primeira noite. Trazia, também, uma longa corrente barulhenta, semelhante à da parede. Parecia que hesitava entre pôr-lhe primeiro a corrente, ou a venda. Indiferente ao que se fizesse com ela, Ó olhava a chuva (pela janela)…. Pierre colocara a corrente sobre a cama e, sem perturbar os sonhos de O, punha sobre seus olhos a venda de veludo negro… Bendita noite, semelhante à sua própria noite, jamais a tinha acolhido com tanta alegria, benditas correntes que a arrancavam de si mesma! Pierre prendeu a corrente no anel de sua grossa coleira e pediu-lhe que o acompanhasse. Ó levantou-se, sentiu que era empurrada para a frente, e caminhou. Seus pés descalços ficaram gelados no ladrilho e compreendeu que seguia o corredor da ala vermelha; depois o chão, sempre frio, tornou-se áspero: caminhava sobre um pavimento de pedra, cerâmica ou granito. Por duas vezes o criado a fez parar: escutou o ruído de uma chave girando numa fechadura que foi aberta e depois novamente trancada. “Cuidado com os degraus”, disse Pierre. Começou a descer uma escada…. Tremendo de frio, descera finalmente os últimos degraus, quando ouviu que mais uma porta se abria e, assim que passou por ela, sentiu sob os pés um tapete espesso. Mais uma vez a corrente foi esticada e, em seguida, as mãos de Pierre desamarraram suas mãos e tiraram sua venda. Encontrava-se num compartimento redondo e abobadado, muito pequeno e baixo; as paredes e a abóbada eram de pedra e viam-se as juntas de alvenaria. A corrente que estava presa ao seu colar, ficara presa também à uma argola fixada a um metro de altura do chão, na parede de frente para a porta, e só lhe permitia dar dois passos para a frente. Não havia cama, nem algo que pudesse ser usado como tal, nem coberta, apenas três ou quatro almofadas marroquinas, mas fora de seu alcance, e que não lhe eram destinadas. Entretanto, ao seu alcance, num nicho de onde partia o pouco de luz que iluminava a peça, encontrava-se uma bandeja de madeira com água, frutas e pão… ….Pierre, ou qualquer outro criado, indiferentemente, vinha pôr água, frutas e pão na bandeja quando faltava, e levá-la para banhar-se num cômodo ao lado. Ó nunca via os homens que entravam, pois todas as vezes um criado vinha antes para vendar seus olhos e só retirava a venda quando tinham saído. Ó também perdeu a conta de quantos foram, e suas doces mãos e seus lábios acariciando às cegas jamais souberam reconhecer à quem estavam tocando. Às vezes eram muitos, mas na maioria das vezes vinham sozinhos, mas todas as vezes, antes de se aproximarem, era posta de joelhos diante da parede, com o anel do seu colar pendurado na mesma argola onde já se encontrava fixada a corrente, e chicoteada. Colocava então as palmas das mãos contra a parede, apoiando nelas o rosto para não arranhá-lo na pedra; mas mesmo assim ainda escoriava os joelhos e os seios. Também perdeu a conta dos suplícios e dos gritos que a abóbada abafava. Trecho I I – Selecionado do Livro Ó é treinada para ficar duplamente disponivel Ilustração de Guido Crepax Ó é vendada e preparada para ser sodomizada. A cena se passa em uma sala, onde além de René (amante de Ó) estão outras pessoas, inclusive 2 homens, sendo que ambos já haviam feito sexo com Ó no dia anterior como na ilustração ao lado. Ó, trouxe para René (seu Dono e amante), um copo de uísque que ele bebeu sem tirar os olhos de dela. Então um dos presentes disse: “É sua escrava?” “Sim”, respondeu René. “Jacques tem razão”, continuou o outro, “Ela é muito estreita, precisamos alargá-la”. (Referindo-se à dificuldade que teve para penetrar Ó, quando este a penetrara em seu delicado orifício entre as nádegas) “Mas sem alarga-la demais, somente o suficiente!”, disse Jacques. “Sintam-se à vontade para treina-la”, replicou René. E durante os próximos oito dias, sempre ao final do tarde quando terminava seu serviço na biblioteca e até por volta das 10 da noite, quando então era trazida acorrentada e nua sob sua capa vermelha, Ó usaria um cilindro de borracha que imitava um penis em seu orifício mais íntimo, e que seria fixado no centro de suas nádegas por três correntinhas presas a um cinto de couro que rodeava seus quadris, para que o movimento interno dos músculos não o expelisse. Uma dessas pequenas correntes acompanharia o sulco das nádegas, e as outras duas o interior das coxas, dos dois lados do triângulo do ventre, a fim de não impedirem a penetração pela frente sempre que se quisesse. René tocou uma campainha para mandar trazer uma pequena caixa onde num dos compartimentos havia uma provisão de correntinhas e de cintos e no outro uma variedade destes cilindros (consolos) que iam dos mais finos aos mais grossos. Todos eles alargavam-se na base para assegurar que não subiriam para o interior do corpo, o que arriscaria deixar-se fechar novamente o pequeno e intímo orífico entre as nádegas que deviam forçar e distender. Ó ficou assim, aberta, e cada vez mais, pois todos os dias Jacques ordenava que a pusessem de joelhos com a face ao chão, para que Jeanne, Monique ou qualquer outra que estivesse por perto, fixassem o cilindro que tinha escolhido, e escolhia sempre o mais grosso do que o usado no dia anterior (mas nunca mais grosso que a maior grossura de um pénis). Durante a refeição da noite, junto com outras moças, no refeitório para onde iam depois do banho, nuas e maquiadas, Ó ainda o usava, e pelas correntes e pelo cinto, todos podiam notar claramente que o usava. Só Jacques o retirava, no momento em que Pierre vinha acorrentá-la, na parede, para passar a noite quando ninguém vinha solicitá-la, ou com as mãos às costas quando a conduziam à biblioteca. Foram raras as noites em que ninguém apareceu para utilizar este caminho de seu intimo orífico que em pouco tempo tinha se tornado tão fácil, embora continuasse mais estreito do que o outro da frente. Depois de oito dias não foi mais necessário e seu amante veio dizer-lhe que se sentia feliz por encontrá-la duplamente aberta e que cuidaria para que permanecesse assim.

(Fonte: http://www.1webspace.biz/sminside/index-6o.html)

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.